Rendas até 2.500€ e casas a subir quase 12%: diferenças entre concelhos agravam-se

O mercado imobiliário português entrou em 2026 marcado por uma acentuada fragmentação territorial, com diferenças cada vez mais evidentes entre concelhos, tanto no arrendamento como na venda de habitação.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 2, 2026
15:06

O mercado imobiliário português entrou em 2026 marcado por uma acentuada fragmentação territorial, com diferenças cada vez mais evidentes entre concelhos, tanto no arrendamento como na venda de habitação. Esta é uma das principais conclusões do primeiro Barómetro dos Concelhos do Imovirtual, divulgado esta segunda-feira, que analisa os preços médios anunciados em janeiro de 2026, comparando-os com dezembro de 2025 e com o mesmo mês do ano anterior.

No arrendamento, o estudo revela uma forte polarização entre concelhos urbanos e turísticos e territórios tradicionalmente mais acessíveis. Cascais destaca-se como o mercado mais pressionado, ao atingir uma renda média de 2.500 euros, depois de uma subida mensal de 8,7% e de um aumento homólogo de 13,6%, mantendo ainda 517 ofertas ativas. Lisboa surge logo a seguir, com uma renda média de 1.800 euros, refletindo um crescimento de 4% face a dezembro e de 5,9% em termos anuais, enquanto o Funchal atinge igualmente os 1.800 euros, com uma valorização homóloga de 12,5%, num mercado com oferta bastante mais limitada. Oeiras fixa-se nos 1.400 euros, após crescimentos mensal e anual de 3,7% e 12%, respetivamente, e o Porto regista uma renda média de 1.150 euros, depois de uma subida de 4,5% tanto em cadeia como em termos homólogos.

Em sentido oposto, alguns concelhos continuam a apresentar valores mais moderados, mantendo ainda uma dinâmica ativa no mercado de arrendamento. Porto Moniz surge como o concelho com a renda média mais baixa do conjunto analisado, nos 600 euros, estável face a dezembro e 4,3% acima de janeiro de 2025. Viseu fixa-se nos 700 euros, sem variação mensal e com um crescimento anual de 7,7%, enquanto Coimbra mantém os 800 euros, destacando-se por um aumento homólogo de 11,1%. Aveiro permanece nos 900 euros, sem alterações mensais ou anuais, e Braga regista uma renda média de 950 euros, estável em cadeia, mas com uma valorização anual de 5,6%, evidenciando uma aproximação gradual aos valores praticados nos grandes centros urbanos.

No segmento da venda, a valorização continua a ser mais intensa nos concelhos premium, embora se observe também uma consolidação em mercados intermédios. Cascais volta a liderar de forma destacada, com um preço médio de venda de 1.350.000 euros, após uma subida mensal de 12,5% e um aumento anual de 22,7%. Segue-se a Calheta, na Madeira, com 950.000 euros, refletindo crescimentos mensal e homólogo de 5,6% e 18,8%, respetivamente, ainda que com uma oferta muito reduzida. Loulé destaca-se ao atingir 813.200 euros, registando uma das valorizações homólogas mais expressivas do país, de 36,7%, num contexto de forte procura no Algarve. Oeiras fixa-se nos 725.000 euros, com subidas de 3,6% em cadeia e de 11,5% em termos anuais, enquanto Lisboa alcança os 720.000 euros, após crescimentos mensal de 5,9% e homólogo de 16,1%, mantendo o maior volume de oferta a nível nacional.

Apesar da valorização generalizada, alguns concelhos continuam a posicionar-se como alternativas mais acessíveis no mercado de compra. No Porto, o preço médio situa-se nos 420.000 euros, depois de uma correção mensal de 2,3%, mantendo ainda um crescimento anual de 7,7%. Coimbra sobe para os 290.000 euros, com uma valorização homóloga de 28,9%, Leiria atinge os 337.000 euros, após um aumento anual de 20,4%, e Aveiro regista 375.000 euros, com ligeira descida mensal, mas uma subida anual de 10,3%. Braga fixa-se nos 370.000 euros, refletindo uma valorização homóloga de 13,8%, confirmando a crescente atratividade de mercados fora dos eixos mais pressionados.

Comentando os resultados do estudo, a marketing manager do Imovirtual, Sylvia Bozzo, sublinha que os dados confirmam um mercado cada vez mais desigual à escala local, referindo que “este barómetro confirma que o mercado imobiliário português está cada vez mais fragmentado à escala local”, com uma pressão muito concentrada nos concelhos urbanos e turísticos, tanto no arrendamento como na venda, enquanto outros territórios continuam a absorver procura por serem relativamente mais acessíveis. A análise concelhia evidencia, assim, que o início de 2026 fica marcado por fortes assimetrias territoriais, com diferenças cada vez mais acentuadas entre concelhos, tanto ao nív

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