Red Bull RB17: o hipercarro que quer ‘humilhar’ um carro de Fórmula 1… num circuito

Apesar da designação lembrar um monolugar, o RB17 é um hipercarro radical para track days, não homologado para estrada e desenvolvido sem qualquer limitação regulamentar

Automonitor
Janeiro 14, 2026
14:27

A Red Bull decidiu levar a ambição para lá do domínio absoluto na Fórmula 1. Com o RB17, a marca austríaca entra no território dos hipercarros mais extremos alguma vez concebidos, com um objetivo claro: criar um carro de pista capaz, segundo dados de simulador, de superar um monolugar de Fórmula 1 no circuito de Spa-Francorchamps. Uma afirmação ousada, mas sustentada por números que colocam o projeto num patamar sem precedentes.

Apesar da designação lembrar um monolugar, o RB17 é um hipercarro radical para track days, não homologado para estrada e desenvolvido sem qualquer limitação regulamentar. De acordo com o ‘El Economista’, em teoria este modelo poderia completar uma volta a Spa em cerca de 1 minuto e 38 segundos, um registo aproximadamente dois segundos mais rápido do que a pole position do Grande Prémio da Bélgica, com uma vantagem potencialmente ainda maior face aos Fórmula 1 que entrarão em ação a partir de 2026.

A assinatura de Adrian Newey

O desenvolvimento do RB17 tem a marca de Adrian Newey, considerado o engenheiro mais influente da era moderna da Fórmula 1. O responsável técnico esteve também por trás do Aston Martin Valkyrie, o que explica as semelhanças iniciais entre os dois projetos quando o RB17 ainda era protótipo. Embora atualmente ligado à Aston Martin, Newey manteve-se envolvido na fase final deste hipercarro, que assinala igualmente a estreia da Red Bull Advanced Technologies como fabricante independente, após a experiência adquirida com o Valkyrie.

Aerodinâmica extrema e estética funcional

A versão final apresentada revela um desenho mais refinado do que o protótipo mostrado em Goodwood, em 2024. Mantém uma estética agressiva, mas claramente orientada para a função: faróis LED ultrafinos, canais aerodinâmicos esculpidos em fibra de carbono, uma barbatana central inspirada nos protótipos de Le Mans, entradas de ar meticulosamente trabalhadas e uma silhueta mais compacta. As portas foram igualmente redesenhadas e adotam agora um sistema de abertura tipo borboleta, facilitando o acesso ao habitáculo.

1.700 kg de downforce e menos de 900 kg de peso

É sob a carroçaria que reside o verdadeiro salto tecnológico. O RB17 promete gerar até 1.700 kg de downforce e suportar acelerações laterais próximas de 5G, resultado de soluções avançadas de efeito solo e de uma abordagem aerodinâmica sem compromissos. Tudo isto num conjunto com um peso alvo inferior a 900 kg, um valor extraordinário para um hipercarro híbrido deste nível.

Um V10 que evoca a Fórmula 1 dos anos 90

O coração do RB17 é um motor Cosworth V10 atmosférico de 4,5 litros, capaz de atingir 15.000 rotações por minuto e debitar 1.000 cavalos. A este junta-se um motor elétrico com mais 200 cavalos, responsável não apenas pelo reforço de potência, mas também pela gestão da marcha-atrás e pela suavização das passagens de caixa. A transmissão é sequencial de seis velocidades, mais compacta e leve. Segundo o ‘El Economista’, Adrian Newey garante que a sonoridade remete diretamente para os Fórmula 1 do final da década de 1990, tendo como referência o McLaren MP4/15.

Interior sem concessões ao conforto

No interior, a filosofia é clara e intransigente. Não há ecrãs táteis nem sistemas de infoentretenimento. Apenas comandos físicos pensados exclusivamente para utilização em pista, integrados numa estrutura concebida de acordo com os padrões de segurança do Campeonato do Mundo de Endurance. Cada elemento foi desenhado com um único objetivo: maximizar o desempenho.

Serão produzidas apenas 50 unidades, todas já vendidas, com um preço superior a 6,2 milhões de euros. Cinquenta proprietários terão acesso ao que promete ser o carro de pista mais rápido alguma vez criado. Um Fórmula 1 sem regras. E, no universo do automobilismo, poucas descrições poderiam ser mais claras do que essa.

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