Este documento compila a informação conjuntural mais relevante sobre o mercado de trabalho no sector automóvel em Portugal.
As principais fontes de dados utilizadas incluem o Inquérito ao Emprego do INE (Instituto Nacional de Estatística), os registos do Instituto do Emprego e Formação Profissional do IEFP e estatísticas da Eurostat. O objectivo é oferecer uma visão clara e completa da evolução do mercado de trabalho neste sector, através de um conjunto de indicadores estatísticos, tabelas e gráficos. Para esta análise sectorial é utilizada a Classificação Portuguesa das Actividades Económicas, Revisão 3 (CAE Rev. 3). Reconhecendo a natureza transversal de sector do automóvel uma visão abrangente do mercado de trabalho exigiria a análise de um conjunto alargado de códigos CAE Rev. 3, principalmente dentro das secção de Indústrias Transformadoras.
Para este estudo, a análise do sector do automóvel será centrada em duas actividades, a Divisão 29 – Fabricação de veículos automóveis, reboques, semirreboques e componentes para veículos automóveis (dentro da secção C: Indústrias transformadoras) e a Divisão 45 – Comércio, Manutenção e Reparação de Veículos Automóveis e Motociclos (dentro da secção G – Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos). Esta escolha permite focar-se na indústria automóvel e de seus componentes, tanto na sua fabricação e como na sua comercialização em Portugal.
O EMPREGO NO SECTOR
Produção e comercialização do automóvel
Segundo os dados da Eurostat, em Portugal, o sector automóvel empregou 203,2 mil pessoas no 1Q de 2025. Este sector está formado, principalmente, pelas actividades de produção de veículos automóveis, reboques e semirreboques (CAE Rev. 3-D29) e de comércio, manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos (CAE Rev. 3-D45). No primeiro trimestre de 2025, o emprego no sector teve um ligeiro aumento de 0,2%, principalmente causado pelo aumento de 1,7% da produção de veículos. Por sua vez, a actividade de comércio manutenção e reparação de veículos teve uma ligeira queda no emprego de -0,5%.
No 1Q de 2025, o sector automóvel (tanto a produção como o comércio) representou 3,9% do emprego total, embora represente uma fatia relativamente pequena do emprego total, desempenha um papel significativo na economia portuguesa.
A sua importância reside não apenas no emprego directo que gera, mas também no seu efeito multiplicador em outras áreas da economia, além de ser um importante motor de inovação e desenvolvimento tecnológico.
Mesmo sendo um sector com um peso reduzido comparado com outros sectores da economia portuguesa, em comparação com outros países da UE, o peso do sector automóvel em Portugal em termos de emprego superou a média da UE.
No primeiro trimestre de 2025, o peso do sector automóvel em Portugal estava 0,7 pontos por cima da média dos países da UE, sendo superado por Alemanha, Polónia e Eslováquia.
No sector do automóvel, o comércio, manutenção e reparação de veículos com 131,2 mil empregados, representa 64,6% do total do sector e inclui todas as actividades relacionadas com a venda, manutenção e reparação de veículos, peças e acessórios.
Em contraste, a produção de veículos automóveis, reboques e semirreboques, com 72 mil empregados representa 35,4% do total e abrange a produção de todos os tipos de veículos, bem como a das suas partes e acessórios. O sector automóvel caracteriza-se por uma maior masculinização.
No 1Q de 2025, a distribuição do emprego total por género revela uma paridade a nível nacional, com 2,63 milhões de homens (50,8% do total do emprego) e 2,55 milhões de mulheres (49,2%). Isto contrasta com o sector automóvel, onde três em cada quatro profissionais são homens (77% do emprego), fazendo um total de 156,5 mil profissionais, e as mulheres constituem uma minoria de 23% do emprego no sector, com um total de 46,7 mil profissionais.
Em 2023, a estrutura do emprego no sector mostra uma predominância de profissionais qualificados (43,7%) e semiqualificados (22,7%), reflectindo a necessidade de especialização do sector o que impulsiona a formação e a criação de conhecimento.
Por sua vez, os níveis de gestão e liderança constituem uma menor proporção. Especificamente, os quadros superiores representam 4,8% do emprego na indústria transformadora, os quadros médios 3,8%, e os encarregados e chefes de equipa 5,4%.
SISTEMA DE CONTAS INTEGRADAS
Empresas, pessoal ao serviço e remuneração
O número de empresas no sector automóvel apresenta evoluções distintas entre as suas principais actividades. A actividade de comercialização de veículos é muito mais expressiva em termos de número de empresas, chegando a 33 449 no ano 2023. Além disso, demonstra uma tendência de crescimento mais acentuada, apesar da queda desde 2008 até 2014.
Por sua vez, a produção de veículos mantém-se mais estável, porém com um número de empresas inferior (680 empresas).
Em 2023, o sector automóvel apresentou uma clara divisão entre as actividades. O comércio, manutenção e reparação de veículos com 33 449 empresas, empregou 110 949 pessoas. Dentro desta actividade, destaca-se a subcategoria do comércio de veículos que não tendo o maior número de empresas, empregou 48 350 pessoas (43,6%) do total da actividade. Em contraste, a produção de veículos, reboques, semirreboques e componentes com um apenas 680 empresas, empregou um total considerável de 42 892 pessoas, destacando a produção de veículos que, com apenas 45 empresas, é a maior subcategoria desta actividade e empregou 33 162 pessoas (77%).
A remuneração no sector automóvel em Portugal mostra uma tendência de crescimento, impulsionada pela necessidade de atrair talento e pelo contexto nacional de aumento salarial. Nos últimos 20 anos, o crescimento da remuneração média no sector foi de 61,9%. No último ano, o crescimento foi de 8,1%.
Na produção a remuneração passou de 1061,04€ para 1759,95€ ao longo de 20 anos (+40%). No comércio, a remuneração em 2004 era de 907,78€ e também se verificou um crescimento notável, atingindo 1426,67€ em 2023 (+36%).
Por actividades, a remuneração da produção, em média, sempre foi um 25%, em média, mais alta que a do comércio, mas a diferença passou de ser de 153€ em 2004 para 332€ em 2023.
DADOS DE REGISTOS
Desemprego registado
Este sector apresenta uma baixa sazonalidade ao contrário das actividades dependentes do turismo.
Em Fevereiro de 2025, o sector automóvel (comercialização e fabricação) representa apenas 2% do total de desempregados registados nos Centros de Emprego do País, com 6046 pessoas. Este valor reflecte uma tendência diferente e até contrária em cada uma das actividades. No caso da comercialização o desemprego diminuiu ao longo do período e totaliza em 2528 pessoas, e na produção aumentou para 3518 pessoas.
Dentro deste sector, o desemprego registado é maior no comércio e reparação, com 58,2% (3518 pessoas) do total do desemprego do sector. Na produção, o número de desempregados é de 2528 pessoas (41.8%).
Por regiões, Norte é a região com maior desemprego nas duas actividades mas, apesar disso, o Centro acumula uma maior percentagem (2,9%) do desemprego nesse sector em relação ao desemprego total da região. E, finalmente, Lisboa apresenta a maior diferença entre o número de desempregados das duas actividades dentro do sector.
DESTAQUES DO SECTOR
Automóvel
- O sector automóvel empregou 203,2 mil pessoas no 1Q de 2025. Este sector está formado pela produção de veículos e comércio, manutenção e reparação de veículos. No último trimestre, o emprego teve um ligeiro aumento de 0,2%.
- No 1Q de 2025, o sector automóvel representou 3,9% do emprego total. A sua importância reside não apenas no emprego directo, mas no seu efeito multiplicador e um motor de inovação e desenvolvimento tecnológico.
- No sector automóvel, a comercialização, manutenção e reparação com 131,2 mil empregados, representa 64,6% do total. A produção de veículos automóveis, reboques e semirreboques, com 72 mil empregados representa 35,4% do total.
- O sector automóvel caracteriza-se por uma masculinização no emprego. No 1Q de 2025, três em quatro empregados eram homens, 77% do emprego e 23% mulheres. Isto contrasta com a paridade a nível nacional.
- Em 2023, a estrutura do emprego no sector da indústria transformadora mostra uma predominância de profissionais qualificados (43,7%) e semiqualificados (22,7%). Enquanto os níveis de gestão e liderança constituem uma menor proporção.
- Uma maior proporção e crescimento das empresas do sector está na actividade do comércio chegando a 33 449 no ano 2023. Por sua vez, a produção de veículos se mantém mais estável, porém com um número de empresas inferior, com 680.
- Em 2023, a remuneração neste sector teve, nos últimos 20 anos, um crescimento de 61,9%. No último ano foi de 8,1%, alcançando os 1593€. Na actividade de produção foi de 1759,95€. E, no comércio, de 1426,67€.
- Em Fevereiro de 2025, o sector automóvel representou 2% dos desempregados registados no País (6046 pessoas). O comércio, concentrou 58,2% do total do desemprego do sector e a produção 41,8%.
Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 233 de Agosto de 2025














