Quando pensa no euro, o que lhe vem à cabeça? A nota, as moedas? Ou talvez o símbolo pelo qual foi criado: não é apenas dinheiro. No fundo, é o meio para atingir um objetivo político que nasceu há décadas: uma Europa que viva em paz e na qual estejam integradas todas as economias que a compõem. Mas quem foi o responsável pelo desenho do símbolo da moeda comunitária? Segundo apontou o jornal espanhol ‘El Economista’, não se sabe. Ou melhor, a UE nunca quis dizê-lo.
Dos 27 países que compõem a União Europeia, 20 partilham a mesma moeda, sendo que a Croácia foi a última a integrar o clube do euro. Os ausentes? Bulgária, Chéquia, Hungria, Polónia, Roménia, Suécia e Dinamarca têm as suas próprias moedas.
Mas antes que a UE chegasse a este ponto, a criação e circulação da moeda partilhada causaram profundos debates. Foi necessário esperar até ao final de 1995, num Conselho Europeu em Madrid, onde foram tomadas duas decisões fundamentais: primeiro, que a introdução da ‘moeda única’ iria começar a 1 de janeiro de 1999. Segundo, e igualmente importante, determinou que o nome da nova moeda era ‘euro’.
O nome euro foi escolhido por ser “o que melhor simboliza a Europa”. A escolha baseou-se também na uniformidade, ou seja, era importante que a designação da moeda comunitária pudesse ser utilizada em todas as línguas oficiais da UE.
Agora, quem inventou o nome ‘euro’? Germain Pirlot. Este professor belga escreveu uma carta no verão de 1995 ao então presidente da Comissão Europeia, Jacques Santer, com a sua proposta. Quatro meses volvidos, foi a opção escolhida pelos chefes de Estado e de Governo da UE, embora a Comissão nunca tenha confirmado o papel de Pirlot no nascimento da moeda europeia.
Uma vez dado o nome, faltava criar um símbolo para tornar a moeda única reconhecível. Bruxelas estabeleceu três critérios para encontrá-lo: primeiro, deveria estar claramente associado à Europa; em segundo lugar, seja fácil de escrever à mão; e terceiro, tinha de ser atraente.
O processo que levou à escolha do símbolo que hoje todos conhecemos não foi propriamente rápido. A Comissão Europeia elaborou cerca de 30 esboços diferentes – uma dúzia dos quais foi submetida a “uma avaliação qualitativa do grande público”, ou seja, a um inquérito aos cidadãos efetuado por “um organismo especializado”. Duas pessoas fizeram a escolha final: Santer e Yves-Thibault de Silguy, então membro da Comissão e responsável pelos assuntos económicos, monetários e financeiros.
O desenho final foi revelado em dezembro de 1996. É inspirado na letra grega épsilon, que é a primeira letra da palavra “Europa”, e é atravessado por duas linhas paralelas que pretendem simbolizar a estabilidade na zona euro.
Apesar da óbvia relevância do euro no projeto de integração europeia, a moeda comunitária não é um dos símbolos oficiais da União.
Especificamente, a UE tem quatro símbolos. A bandeira azul é um deles O dia 9 de maio é outro, dia em que se celebra o Dia da Europa, num convite a olhar para trás e valorizar a integração pacífica dos diferentes países do bloco após as guerras sofridas no início do século XX.
Outro dos símbolos menos conhecidos é o lema da UE, que foi usado pela primeira vez em 2000, e refere: “Unidos na adversidade.” Por último, mas não menos importante, é o hino europeu: a ‘Ode à Alegria de Beethoven’ que, como o hino espanhol, não tem letra, apenas música.














