Alemanha e Irlanda são os dois países da União Europeia mais expostos aos impactos económicos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, num momento em que Bruxelas procura um novo acordo comercial com Washington.
Desde abril, o setor automóvel europeu enfrenta uma tarifa de 25%, com a Alemanha a ser o principal alvo, uma vez que 22,7% das suas exportações têm como destino os EUA. Segundo o think tank Bruegel, este impacto poderá custar 0,4% ao PIB alemão a longo prazo, arrastando também economias como a austríaca e as da Europa Central e de Leste, fortemente ligadas à indústria automóvel germânica, revela a ‘Euronews’.
Contudo, é o setor farmacêutico que poderá desencadear maiores perdas para outras economias, nomeadamente a irlandesa. A Irlanda, que direciona 53,7% das suas exportações para os EUA – das quais quase 55% são produtos farmacêuticos –, poderá ver a sua economia recuar até 5% caso estas exportações sejam sujeitas a tarifas de 25%, de acordo com a BCA Research. Bruegel estima que o impacto acumulado no PIB irlandês poderá atingir os 3% até 2028, além de colocar em risco milhares de postos de trabalho.
A dimensão do impacto económico dependerá da taxa efetiva das tarifas e da resposta da União Europeia. Em 2024, os EUA representaram 20,6% das exportações extracomunitárias da UE, com os produtos farmacêuticos a constituírem 15% desse total, seguidos do setor automóvel. Segundo a Oxford Economics, só as tarifas atualmente em vigor poderão reduzir o volume total de comércio externo da UE em cerca de 8% nos próximos cinco anos, reela a mesma fonte.
Donald Trump chegou a sugerir uma tarifa de 200% sobre produtos farmacêuticos importados, mas especialistas consideram esse cenário improvável, pois aumentaria drasticamente os custos de saúde nos EUA. Em vez disso, analistas preveem que as empresas farmacêuticas europeias sejam pressionadas a investir em unidades de produção em solo norte-americano, como forma de evitar as tarifas e garantir proximidade ao mercado.
Portugal é dos países da Europa menos afetados pelas tarifas da administração norte-americana, sendo que o valor das trocas comerciais entre os países representa apenas 5,3 mil milhões de euros.














