Da maionese ao molho picante, passando pelo ketchup e pelo pesto, a maioria das cozinhas acumula dezenas de frascos espalhados entre armários e portas do frigorífico. No entanto, a forma como estes produtos são armazenados pode não ser a mais correta e, em alguns casos, pode mesmo representar riscos para a saúde.
Uma análise realizada pela organização de defesa do consumidor Which? avaliou 20 dos condimentos mais comuns para esclarecer, de forma definitiva, onde cada um deve ser guardado após a abertura.
Segundo a entidade, existe “muita confusão, desinformação e hábitos francamente errados” quando se trata de conservar molhos.
“Quando questionámos as pessoas sobre como guardam os seus molhos, descobrimos muita confusão, desinformação e hábitos francamente maus, incluindo práticas que podem estar a colocar a saúde em risco”, explicou a organização.
Apesar de, por lei, os fabricantes serem obrigados a incluir instruções de conservação nas embalagens, mais de um terço dos inquiridos num inquérito realizado em 2020 admitiu nunca verificar onde os condimentos devem ser guardados ou durante quanto tempo permanecem seguros.
Para elaborar as recomendações, a Which? consultou vários especialistas em alimentação, incluindo a dietista registada Sarah Schenker.
Apenas seis condimentos devem ir obrigatoriamente para o frigorífico
Ao contrário do que muitos pensam, a maioria dos molhos não necessita de refrigeração. De acordo com a análise, apenas seis condimentos devem ser mantidos obrigatoriamente no frio.
A maionese surge como o principal exemplo. Deve ser conservada no frigorífico e consumida no prazo máximo de três meses após a abertura.
Segundo a dietista Sarah Schenker, “a pasteurização oferece uma camada extra de segurança, mas ainda assim deve ser refrigerada”.
Também os molhos que contêm ovo, como o molho de salada e o molho tártaro, devem permanecer no frio.
A especialista alerta ainda para um erro frequente no verão: “Condimentos como o molho de salada são muitas vezes deixados fora durante festas e churrascos. O ideal é colocar apenas uma porção numa taça, para evitar que a garrafa inteira fique exposta ao calor.”
O pesto é outro produto que deve ser sempre refrigerado, sobretudo quando contém pinhões.
Os frutos secos podem desenvolver bolores que produzem compostos tóxicos conhecidos como micotoxinas. Como o pesto tem uma cor verde intensa, esses sinais podem passar despercebidos.
“Muitas vezes é difícil ver bolor no pesto, especialmente no pesto verde, por isso não vale a pena arriscar. Siga sempre as indicações do rótulo”, aconselhou Schenker.
Xaropes e geleias também no frio
A lista de produtos que devem ir para o frigorífico inclui ainda:
- maionese
- pesto
- molho de salada
- molho tártaro
- xarope de ácer (maple syrup)
- geleia de groselha
O elevado teor de açúcar destes últimos justifica a refrigeração após abertura.
Ketchup pode ficar fora do frigorífico
Uma das conclusões que mais surpreende diz respeito ao ketchup, frequentemente associado ao frigorífico por hábito. Segundo a Which?, isso não é necessário.
O produto contém vinagre em quantidade suficiente para se conservar à temperatura ambiente.
“Às vezes as pessoas guardam o ketchup no frigorífico simplesmente porque preferem o sabor frio, mas, de resto, não precisa de ser refrigerado”, explicou a dietista.
A maioria dos condimentos pode ficar no armário
Grande parte dos molhos pode permanecer num local fresco e seco, dentro do armário da cozinha.
Entre eles estão:
- ketchup
- molho castanho (brown sauce/HP)
- mel
- molho de hortelã
- pickles
- azeite
- molho de soja
- chutney de manga
- vinagre de malte
- molhos picantes
- molho Worcestershire
- mostardas (inglesa, Dijon e integral)
Relativamente aos pickles e chutneys, Schenker recorda que “surgiram originalmente como forma de conservar fruta e vegetais frescos, por isso, pela sua própria natureza, aguentam-se bem fora do frigorífico”.
Ainda assim, recomenda-se atenção a migalhas ou restos de comida dentro do frasco, que podem originar bolor.
Quanto a compotas, geleias e molhos de fruta, a Which? tranquiliza: “Se estiver de boa saúde, pode remover o bolor superficial e consumir o restante”, aconselhando, contudo, a evitar inalar esporos e a descartar o produto caso apresente sabor efervescente ou cause desconforto gástrico.
Mostarda não precisa de frio, mas pode beneficiar
As mostardas, inglesa, Dijon ou integral, também não necessitam de refrigeração, já que contêm conservantes naturais que impedem a deterioração à temperatura ambiente.
Ainda assim, quem prefere um sabor mais intenso pode optar pelo frio.
“Os conservantes significam que pode ser guardada no armário, mas o frigorífico pode ajudar a preservar o sabor e a intensidade durante mais tempo”, explicou Schenker, acrescentando que a cor “pode alterar-se num ambiente mais quente”.
A principal recomendação dos especialistas é simples: ler sempre o rótulo.
Mesmo que muitos produtos resistam fora do frigorífico, as instruções do fabricante continuam a ser o critério mais seguro para evitar desperdício alimentar — ou problemas de saúde.






