Quais são os carros na Europa que dão menos problemas com o passar dos anos?

Edição mais recente analisou cerca de 9,5 milhões de inspeções técnicas realizadas entre julho de 2024 e junho de 2025, abrangendo 216 modelos distribuídos por seis faixas etárias

Automonitor
Janeiro 19, 2026
16:37

O relatório anual dos alemães da TÜV ((Technischer Überwachungs-Verein) consolidou-se como uma das referências mais relevantes para avaliar a fiabilidade real dos automóveis na Europa, em particular no mercado de usados.

A edição mais recente analisou cerca de 9,5 milhões de inspeções técnicas realizadas entre julho de 2024 e junho de 2025, abrangendo 216 modelos distribuídos por seis faixas etárias. No relatório de 2025, a base de dados foi ainda mais extensa, com 10,2 milhões de inspeções e 228 modelos avaliados, segundo o ‘El Confidencial’.

Ao contrário de rankings baseados em perceções de marca ou inquéritos a consumidores, a análise da TÜV assenta exclusivamente em dados objetivos: a percentagem de veículos reprovados por defeitos considerados “significativos” ou “perigosos”, como falhas nos travões, na suspensão ou problemas estruturais associados à corrosão. Este método permite traçar um retrato da fiabilidade em utilização real, comparável à inspeção periódica obrigatória em Espanha, mas com um volume estatístico que a torna particularmente relevante para quem pondera comprar um automóvel em segunda mão.

Um utilitário japonês lidera a fiabilidade

Num mercado dominado por SUV premium, tecnologia avançada e motores cada vez mais potentes, o relatório alemão trouxe uma conclusão inesperada. O automóvel que melhor resiste ao passar do tempo não é um modelo de luxo, mas sim um utilitário compacto: o Mazda 2.

Este modelo apresenta a mais baixa taxa de avarias na faixa etária dos 2 aos 3 anos, com apenas 2,9% das unidades a registarem defeitos significativos, face a uma média de mercado de 6,5% no mesmo intervalo. O resultado significa que o Mazda 2 apresenta cerca de metade das falhas graves da média dos veículos analisados, um desempenho que se mantém competitivo à medida que envelhece, de acordo com o ‘El Confidencial’.

O dado ganha ainda mais relevância num contexto em que cerca de um em cada cinco automóveis inspecionados na Alemanha é reprovado por defeitos graves ou perigosos, com a taxa média de reprovação a atingir 21,5% em todas as faixas etárias.

Fiáveis e problemáticos: contrastes evidentes

Outros modelos também se destacam pela robustez, como o Honda Jazz ou o Porsche 911 Carrera, que registam taxas de defeitos entre 2,4% e 3,1% em veículos relativamente recentes. No extremo oposto surgem alguns modelos que têm beneficiado de uma forte narrativa associada à inovação e à mobilidade elétrica.

O Tesla Model 3 já figurava entre os piores classificados no relatório anterior, com uma taxa de avarias de 14,2% nos automóveis entre 2 e 3 anos. No estudo mais recente, a situação agravou-se com o Model Y, que apresenta a pior taxa global de defeitos nessa faixa etária, entre 17,2% e 17,3%. Os problemas identificados incidem sobretudo em componentes críticos de segurança, como eixos, suspensão, travões e iluminação, o que poderá penalizar o valor residual destes modelos no mercado europeu de usados.

Em contraste, alguns veículos elétricos apresentam desempenhos bastante mais sólidos, como o MINI Cooper SE ou o Audi Q4 e-tron, com níveis de defeitos significativamente inferiores no mesmo intervalo de idade.

Envelhecimento penaliza algumas marcas

A análise revela ainda dificuldades consistentes em vários modelos da Dacia e da Renault, cujas taxas de defeitos aumentam de forma acentuada a partir dos 6 ou 7 anos, agravando-se nas faixas etárias dos 8 aos 9 anos e acima dos 10 anos. O fenómeno repete-se em algumas berlinas premium, como o BMW Série 5 e o Série 6, demonstrando que um preço elevado à saída do concessionário não garante necessariamente um envelhecimento mais benigno.

Quando se observa o desempenho médio das marcas em veículos com mais de 10 anos, a Mercedes-Benz destaca-se com a taxa de avarias mais baixa, nos 18,5%, seguida da Audi, com 19,2%, e da Toyota, com 22%. Estes valores aproximam-se das taxas registadas por alguns veículos elétricos muito recentes, como o Tesla Model Y.

A Volkswagen não lidera na média global da marca, mas apresenta vários modelos com resultados sólidos em faixas etárias específicas, como o Golf Sportvan e o T-Roc entre os 4 e os 7 anos, ou o Touareg entre os 12 e os 13 anos, reforçando a importância de analisar o modelo concreto e não apenas o emblema.

O que os dados dizem ao comprador de usados

Para quem acompanha o mercado de automóveis usados, as conclusões da TÜV deixam várias mensagens claras. A primeira é que a fiabilidade continua muitas vezes associada a automóveis simples, com engenharia madura e sem excesso de tecnologia. A segunda é que a eletrificação, por si só, não garante menos problemas, existindo diferenças significativas entre modelos elétricos.

Por fim, a idade continua a ser determinante. No relatório de 2025, a taxa de defeitos graves sobe de 6,4% nos veículos entre 2 e 3 anos para 28,1% nos automóveis entre 12 e 13 anos, um salto que obriga a ponderar cuidadosamente a poupança inicial face ao risco de reparações futuras.

Num contexto em que o discurso público privilegia SUV de grandes dimensões, luxo e inovação tecnológica, o relatório da TÜV deixa um aviso pragmático ao condutor comum: para quem procura um automóvel fiável, económico e sem surpresas mecânicas, os dados continuam a valer mais do que o marketing.

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