Enquanto Marrocos era abalado por um devastador terramoto de magnitude 6,8, apontado por especialistas como um dos maiores de sempre a abalar o país, o rei marroquino Mohammed VI estava em Paris, onde aliás passa grande parte do tempo.
Só um dia depois regressou ao país e emitiu um comunicado curto, e no final de sábado apareceu na TV marroquina a presidir a uma reunião do seu gabinete. Só esta terça-feira visitou um hospital que recebeu os feridos no abalo, que matou mais de 2900 pessoas, mas a sua baixa visibilidade durante a tragédia, e o relativo silêncio, juntamente com a resposta dada pelo Governo marroquino, tem levantado algumas críticas que apontam que os serviços de emergência e resgate e alguns organismos estão paralisados à espera de autorização do rei para agir.
Por seu lado, as autoridades marroquinas argumentam que têm a crise controlada, e que pedirão ajuda a quem entenderem quando considerarem necessário, ressalvando que o rei de Marrocos tem estado a coordenar a resposta à tragédia desde o início.
Nota-se assim que o rei Mohammed VI está com os holofotes apontados, o que contrasta com o véu de ‘mistério’ que normalmente envolve o monarca, de 60 anos, que é a pessoa mais poderosa e mais rica do país.
É ele o líder supremo das Forças Armadas de Marrocos e, gerando alguma controvérsia face à lei do Islão, é também o responsável máximo de assuntos religiosos, como Comandante dos Fiéis. Supervisiona uma monarquia constitucional, uma semidemocracia em que o poder real é exercido através de conselheiros e ministros, grupos onde os amigos de longa data, desde o ensino secundário, se Mohammed VI, estão presentes e dominam.
Segundo fontes próximas do governo, citadas pelo The New York Times, o rei está cada vez mais ‘isolado’: é difícil chegar até ele. Por outro lado, o monarca tem-se aproximado progressivamente de Abubakr Abu Azaitar, lutador marroquino de MMA, e dos seus dois irmãos Omar e Ottman. Aliás, é indicado que Abu Azaitar está a criar uma barreira entre rei e os seus conselheiros.
“Os rumores num ambiente opaco como o do palácio têm de ser lidos com atenção porque a maioria deles vem de pessoas interessadas”, indica Fouad Abdelmoumni, economista marroquino, que indica que agora, “parece que toda a comitiva do rei está muito, muito descontente com o tempo que ele passa com os Azaitars” e com “a autoridade que lhes dá”, criticando que isso danifica a imagem criada da relação entre o rei e a população.
Outros rumores que envolvem o ‘mistério’ do rei dizem respeito ao seu estado de saúde, que no passado sofreu de episódios de arritmia e uma pneumonia viral grave, mas que são rapidamente arrasados pela censura e pelo controlo que Mohammed VI tem sobre a imprensa.
Por outro lado, mesmo perante a ‘ameaça’ da Primavera Árabe, o monarca tem conseguido passar ‘pelo pingos da chuva’ com mudanças internas e políticas que trouxeram um ambiente mais moderno e democrático ao país na última década.
Também escondido dos olhares público sesta o herdeiro do trono, Moulai Hassan.
O ‘bolha’ em que vive Mohammed VI é também composta pelo envolvimento em diversos negócios, sendo que através de várias holdings controla alguns dos maiores bancos, companhias de seguros, empresas de energia e de telecomunicações de Marrocos. Em 2006, as empresas controladas pela monarquia representavam 70% das capitalizadas na bolsa de valores marroquina.











