Próxima semana à lupa: Dos mercados à economia – e outras coisas que precisa de saber

Do calendário económico ao que vai mexer com os mercados na próxima semana. Saiba o que vai estar na agenda nacional e internacional

Executive Digest
Novembro 28, 2025
15:40

Os mercados americanos devem encerrar a semana encurtada pelo feriado de Ação de Graças em alta, apoiados pelo otimismo em relação aos cortes nas taxas de juros por parte da Reserva Federal dos EUA (Fed):

  • O mercado de taxas dos EUA está atualmente a descontar uma probabilidade de 85% de um corte de 25 pontos-base na reunião da Fed de dia 10 de dezembro.
  • Foram também conhecidos os dados das encomendas de bens duráveis, excluindo transportes, que aumentaram 0,6% em setembro, após um ganho revisto em alta de 0,5% em agosto.
  • Na frente do emprego, o relatório da ADP mostrou uma perda média semanal de 13.500 postos de trabalho no setor privado nas quatro semanas encerradas a 8 de novembro, um aumento acentuado em relação à queda semanal de 2.500 no período anterior.
  • Já os pedidos iniciais de subsídio de desemprego diminuíram em 6000 na semana que terminou a 22 de novembro, para 216.000, marcando uma terceira queda consecutiva e regressando aos níveis observados pela última vez em fevereiro.
  • O grupo de controlo das vendas a retalho para setembro, que contribui para o PIB dos EUA, caiu 0,1%, bem abaixo das expectativas de um aumento de 0,4%.
  • O Índice de Confiança do Consumidor do Conference Board para novembro caiu de 95,5 para 88,7, à medida que as famílias se tornaram mais pessimistas em relação às perspetivas do mercado de trabalho e ao impacto da recente paralisação do governo.
  • A inflação dos preços ao produtor subiu 2,6% em relação ao ano anterior em setembro, o ritmo mais lento desde julho de 2024.

Na Nova Zelândia, o Banco Central da Nova Zelândia reduziu as taxas em 25 pontos base para 2,25% e sinalizou que irá fazer uma pausa nas novas medidas de flexibilização.

Na Austrália, a inflação geral acelerou para 3,8% a/a em outubro.

 

Destaques da semana que vem

  • PIB do 3T na Austrália

Data: quarta-feira, 3 de dezembro, às 00h30 GMT

No segundo trimestre de 2025, o PIB australiano subiu 0,6% (acima da previsão de 0,5%), face aos 0,3% no primeiro trimestre, apresentando uma taxa de crescimento anual de 1,8%. Isso marcou o 15º trimestre consecutivo de expansão da economia. Este valor superou as expectativas, apoiado por uma recuperação no consumo das famílias. Com o aumento do rendimento real disponível após dois anos de recessão per capita, o efeito do ciclo de corte de taxas do RBA começa agora a sentir-se. Antes da divulgação do PIB da próxima semana, as estimativas iniciais apontam para um aumento de 0,6% em relação ao trimestre anterior, elevando o crescimento anual para 2,2%, acima da previsão do RBA de 2,0% para dezembro de 2025. Se esta previsão se revelar correta, dados de emprego mais fortes e surpresas positivas na inflação provavelmente reforçarão os argumentos para que o RBA mantenha a taxa nos 3,60% por um período prolongado.

 

  • PMI de serviços do ISM nos EUA

Data: quarta-feira, 3 de dezembro, às 15h00 GMT

O PMI de serviços do ISM é um indicador antecedente crítico para a economia dos EUA, dado que os serviços representam cerca de 70% a 75% do PIB, abrangendo setores como retalho, finanças, saúde e tecnologia, ele oferece uma visão em tempo real do dinamismo económico impulsionado pelo consumidor. Valores acima de 50 indicam expansão; valores abaixo de 50 indicam contração.

O subíndice de emprego continua em foco, oferecendo uma visão prospectiva da procura de mão de obra, particularmente relevante após o cancelamento do relatório de emprego não agrícola de outubro devido à recente paralisação do governo dos EUA.

O PMI de serviços ISM de outubro subiu de 50,0 para 52,4, superando as expectativas de 50,8 e marcando a expansão mais forte desde fevereiro de 2025. O emprego permaneceu em contração, em 48,2, mas melhorou ligeiramente em relação aos 47,2.

O consenso espera que a leitura de novembro suba modestamente para 52,7. Os mercados estarão atentos para ver se as condições de emprego enfraquecem ainda mais, uma vez que a persistência da fraqueza reforçaria a probabilidade de cerca de 85% atualmente descontada para um corte de 25 pontos base na taxa da Fed na reunião de 10 de dezembro.

 

  • Fim do Quantitative Tightening (QT) por parte da Fed

As minutas da reunião de outubro mostraram que “quase todos” os decisores da Fed apoiaram o fim do programa de quantitative tightening (QT). A data oficial para esse fim está marcada para 1 de dezembro de 2025.

O QT consistia em deixar vencer os títulos (Treasuries e mortgage-backed securities) que a Fed comprou durante a pandemia, sem os reinvestir — reduzindo liquidez global, e contribuindo para controlar inflação e normalizar mercados.

O fim do QT é interpretado pelo mercado como uma viragem dovish (menos restritiva) da Fed, pois deixa de retirar liquidez do sistema — o que tende a favorecer ativos de risco, diminuir yields de dívida pública e alargar margem para cortes de taxa.

 

Em paralelo, na última reunião a Fed também cortou os juros (fed-funds rate) para a faixa 3.75- 4.00%, o que reforça a perceção de alívio monetário. A conjunção — fim de QT + corte de taxas — deve ser observada pelos mercados como uma sinalização de que a Fed está a facilitar as condições financeiras, o que pode favorecer subida de ações e risco, mas também requer vigilância sobre inflação e curvas de rendimento.

 

Analistas da XTB

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