Propaganda russa associa Ucrânia ao assassinato de Charlie Kirk

Desta vez, Moscovo procura associar o assassinato do ativista político norte-americano Charlie Kirk à brigada Azov, através de alegadas ligações familiares e militares que já foram desmentidas.

Pedro Gonçalves
Setembro 23, 2025
12:46

A máquina de propaganda russa voltou a difundir desinformação com o objetivo de envolver a Ucrânia em acontecimentos que lhe são alheios. Desta vez, Moscovo procura associar o assassinato do ativista político norte-americano Charlie Kirk à brigada Azov, através de alegadas ligações familiares e militares que já foram desmentidas.

Segundo a circulação em meios de comunicação russos, canais pró-guerra no Telegram e contas anónimas na rede social X, um cidadão norte-americano chamado Mike Robinson seria tio de Tyler Robinson, suspeito do homicídio de Charlie Kirk. A propaganda vai mais longe ao alegar que Mike Robinson teria ligações ao 1.º Corpo Azov da Guarda Nacional da Ucrânia, apresentando como “prova” uma publicação no LinkedIn onde este teria procurado contacto com militares ucranianos.

A versão russa revelou-se rapidamente falsa. Mike Robinson não é tio de Tyler Robinson e desmentiu categoricamente a informação na sua página do LinkedIn. Acrescentou ainda que está preparado para recorrer aos tribunais contra quem continue a difundir esta desinformação.

Robinson esclareceu igualmente que nunca teve qualquer papel na formação de combatentes ucranianos nem ligação operacional com o Corpo Azov. A sua presença na Ucrânia ocorreu apenas no âmbito de missões humanitárias, enquanto diretor da organização voluntária Radio Free Ukraine, dedicada a sensibilizar a opinião pública internacional para a guerra e apoiar civis atingidos pela agressão russa.

A publicação que os propagandistas russos usaram como “prova” não menciona qualquer treino militar. O texto referia apenas a disponibilidade de Robinson em acolher um veterano ou combatente ferido do 1.º Corpo Azov, num gesto de solidariedade humanitária. Ainda assim, a narrativa fabricada foi amplificada por canais pró-Kremlin nas redes sociais.

Estratégia de desinformação russa
Após o assassinato de Charlie Kirk, nenhum órgão de comunicação internacional reportou qualquer envolvimento da Ucrânia. A origem da alegação foi um perfil anónimo no X, denominado FrauHodl, conhecido pela disseminação de notícias falsas, que rapidamente foi replicado no ecossistema digital pró-russo.

A estratégia insere-se num padrão já identificado: Moscovo procura associar Kiev a acontecimentos internacionais com o intuito de desacreditar o país e minar o apoio internacional à sua causa. Recorde-se que, em episódios anteriores, fontes russas chegaram a inventar que destroços de drones ucranianos tinham sido encontrados na Lituânia.

Charlie Kirk, conhecido ativista político norte-americano, foi morto a tiro no dia 10 de setembro de 2025 durante um discurso na Universidade do Vale de Utah. O suspeito é Tyler Robinson, identificado pelas autoridades como ativista ligado ao movimento Antifa, classificado como organização terrorista nos Estados Unidos após o ataque.

Segundo o diretor do FBI, Kash Patel, provas de ADN encontradas no local ligam Robinson diretamente ao crime. A investigação norte-americana não encontrou qualquer rasto que envolvesse a Ucrânia, desmentindo de forma inequívoca as alegações de Moscovo.

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