Problemas na faturação da Galp deixam clientes à beira de um ataque de nervos com contas de centenas de euros para pagar

Apesar de indicar que a maioria dos clientes já voltou a ser faturada, a Galp não apresentou um prazo concreto para a normalização total do processo, nem detalhou o universo global de consumidores afetados durante a migração do sistema

Revista de Imprensa
Janeiro 7, 2026
9:08

Clientes da Galp Energia têm vindo a denunciar meses sem faturação, cobranças concentradas e dificuldades em contactar o apoio ao cliente, numa vaga de reclamações registadas desde o outono de 2025 no ‘Portal da Queixa’. A situação surgiu após a migração das plataformas de contratação e faturação da empresa para um sistema único, segundo relatos dos consumidores recolhidos pelo ‘Jornal de Negócios’.

A Galp confirma que, desde setembro ou outubro, alguns clientes deixaram de receber faturas para pagamento, associando o problema ao processo de migração do sistema de faturação e pagamentos. A empresa assegura que, neste momento, “apenas 5% dos clientes permanecem por faturar” e que a emissão de faturas está em curso.

A fornecedora de energia não especifica quantos clientes foram afetados ao longo do processo, nem esclarece se a migração está totalmente concluída, limitando-se a indicar a percentagem de clientes ainda por faturar. Recorde-se que a Galp tinha apontado anteriormente o final de 2025 como horizonte para a normalização do sistema.

Entre as reclamações registadas surgem casos de contratos com faturação mensal e débito direto ativo em que os clientes passaram dois ou três meses — ou mais — sem receber qualquer fatura, apesar do envio regular de leituras. Quando a faturação é retomada, os consumos acumulados são concentrados num único documento, resultando em valores elevados a pagar.

Num dos casos relatados, a fatura atingiu os 558 euros. “Não acho normal e é completamente incorreto. A culpa não é minha”, escreve uma cliente no ‘Portal da Queixa’. Outro testemunho refere que “desde o dia 17 de setembro de 2025” não houve qualquer cobrança, sublinhando que a situação resulta de falhas da operadora e não de incumprimento voluntário.

Questionada sobre o valor médio das faturas agora emitidas, tendo em conta os períodos em atraso, a Galp indica que não disponibiliza esse tipo de informação, sublinhando que “cada cliente é um caso particular”. A empresa também não divulga dados sobre a percentagem de clientes que está a recorrer ao faseamento dos pagamentos.

Apesar disso, a Galp garante que todos os clientes afetados beneficiaram de medidas mitigadoras, quer as previstas regulamentarmente, como os planos de pagamento, quer outras soluções disponibilizadas voluntariamente, incluindo a atribuição de vouchers.

Para além das cobranças acumuladas, os consumidores queixam-se de dificuldades persistentes no contacto com o apoio ao cliente, com relatos de chamadas não atendidas, tempos de espera prolongados e pedidos sem resposta. Há ainda reclamações sobre erros contratuais refletidos na aplicação Mundo Galp e sobre a perda de acesso às faturas após a reestruturação da plataforma.

Segundo os testemunhos, a situação afeta tanto clientes domésticos como titulares de contratos profissionais, alguns dos quais manifestam preocupação com o impacto financeiro da acumulação de consumos em vários fornecimentos. Há também consumidores que admitem ponderar a mudança de fornecedor, depois de terem escolhido a Galp com base em simulações de preços mais competitivos.

Apesar de indicar que a maioria dos clientes já voltou a ser faturada, a Galp não apresentou um prazo concreto para a normalização total do processo, nem detalhou o universo global de consumidores afetados durante a migração do sistema.

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