A sondagem da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, esta quarta-feira, revelou discrepâncias significativas entre o desempenho projetado dos candidatos presidenciais e o peso eleitoral dos partidos que lhes estão associados.
Os resultados, de acordo com o ‘Jornal de Notícias’, mostraram que figuras como Luís Marques Mendes, António José Seguro, Jorge Pinto e André Ventura surgem abaixo das respetivas forças partidárias, enquanto João Cotrim Figueiredo e Catarina Martins aparecem com valores bastante superiores.
De acordo com os dados divulgados, Luís Marques Mendes regista 22,6%, um valor 23 pontos inferior ao projetado para a AD (38,5%). Também António José Seguro, com 17,4%, surge nove pontos abaixo da intenção de voto atual do PS (26,4%).
Esta diferença expressiva parece explicar-se por dois fatores: o desgaste interno que afeta ambos entre parte do eleitorado tradicional e o impacto da candidatura de Henrique Gouveia e Melo, que, assumindo-se como independente, reúne apoios de peso oriundos do PSD e do PS.
A sondagem indicou que o almirante capta quase um em cada cinco eleitores da coligação de centro-direita e um em cada quatro votantes socialistas, posicionando-se como a candidatura transversal que mais altera o mapa das presidenciais.
Ventura abaixo do Chega e impacto limitado entre os seus eleitores
Outro dado relevante é o desempenho de André Ventura, que aparece dois pontos abaixo do Chega. Embora o partido seja amplamente associado à liderança do seu fundador, a sondagem mostrou que o candidato não traduz integralmente o peso político da força que lidera. A quebra é explicada, em parte, pela perda de fôlego do Chega face às legislativas de maio, mas também por uma fuga de parte do seu eleitorado para Gouveia e Melo, ainda que num nível inferior ao registado entre os dois maiores partidos.
O candidato do Livre, Jorge Pinto, também fica aquém, surgindo quatro pontos abaixo do partido. A sua menor notoriedade e a entrada recente na corrida justificam, em parte, esta dificuldade de aproximação.
Cotrim Figueiredo e Catarina Martins superam largamente os partidos
No polo oposto, João Cotrim Figueiredo destaca-se como o candidato com maior distanciamento positivo em relação ao partido de origem. Com 12,6%, o antigo líder liberal vale mais do dobro da Iniciativa Liberal (5,3%). O desempenho deve-se sobretudo à capacidade de atrair uma fatia relevante de eleitores que votaram AD nas legislativas e, ainda que de forma mais modesta, parte dos votantes do Chega.
Catarina Martins confirmou a mesma tendência, surgindo na sondagem com 4,4%, valor muito acima dos 0,7% do Bloco de Esquerda. A ex-líder bloquista beneficia do apoio de alguns eleitores socialistas mais à esquerda, que a preferem a António José Seguro.














