A poucos dias das eleições presidenciais de 18 de janeiro, várias ferramentas de inteligência artificial foram desafiadas a prever quem será o próximo Presidente da República. O exercício, realizado pela revista ‘Sábado’, revelou respostas divergentes, recusas explícitas e até palpites contraditórios, mas também um ponto comum: a convicção de que haverá uma segunda volta e que os principais candidatos estão separados por margens muito reduzidas.
Seis plataformas de IA foram confrontadas com três perguntas diretas sobre o vencedor das presidenciais. MetaAI, PerplexityAI e a portuguesa Amália recusaram indicar um nome concreto, enquanto Gemini, Copilot e ChatGPT acabaram por avançar com cenários e favoritos, ainda que com várias reservas.
Recusas, erros e prudência algorítmica
O MetaAI limitou-se inicialmente a respostas vagas e chegou a sugerir a pesquisa online por informação mais recente. Após insistência, apontou uma “disputa renhida”, referindo nomes inexistentes, antes de, numa terceira resposta, identificar candidatos reais como Henrique Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes, André Ventura e António José Seguro.
Já o PerplexityAI sublinhou repetidamente que não é possível prever resultados eleitorais, mas acabou por referir um alegado “empate técnico” entre cinco candidatos, todos entre os 16% e os 21%, destacando António José Seguro e André Ventura como os mais próximos de garantir lugar na segunda volta. Ainda assim, recusou assumir um vencedor, considerando que qualquer nome seria apenas especulativo.
A Amália, ferramenta portuguesa, manteve uma posição de princípio, lembrando que não consegue antecipar eventos futuros. Em vez disso, sugeriu temas alternativos relacionados com o funcionamento das instituições democráticas e o papel do Presidente da República.
IA arrisca nomes e projeta cenários
Entre as plataformas que avançaram com palpites, o Gemini considerou existir um “duelo pelo primeiro lugar” entre André Ventura e António José Seguro, apontando João Cotrim de Figueiredo como candidato em ascensão. A ferramenta concluiu que Ventura ou Seguro deverão ser os mais votados na primeira volta, sem maioria absoluta, admitindo que um candidato moderado poderá acabar por vencer na segunda volta.
O Copilot seguiu uma linha semelhante, referindo uma disputa equilibrada, mas acabou por indicar Luís Marques Mendes ou Henrique Gouveia e Melo como os candidatos com melhores hipóteses numa segunda volta frente a André Ventura. Com base nos dados disponíveis, a ferramenta apontou Marques Mendes como o nome com maior vantagem.
O ChatGPT, após alguma resistência inicial, identificou André Ventura como o candidato mais próximo de vencer ou, pelo menos, de garantir a passagem à segunda volta, sublinhando, no entanto, que qualquer favoritismo nesta fase não assegura a vitória final.
Cinco candidatos, margens curtas e segunda volta provável
Apesar das respostas distintas, as várias ferramentas de inteligência artificial convergem num ponto essencial: todas admitem que António José Seguro, Luís Marques Mendes, André Ventura, Henrique Gouveia e Melo e João Cotrim de Figueiredo deverão obter resultados muito próximos, tornando altamente provável uma segunda volta nas presidenciais.
Quanto à decisão final, a inteligência artificial não substitui o eleitor. A escolha continuará a caber exclusivamente aos portugueses.









