O ex-diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) Fernando Araújo apareceu hoje na campanha presidencial de António José Seguro, mas o candidato manteve que não envia recados ao Governo sobre políticas nesse ou noutros setores.
“Eu não dou recados nenhuns. Vão-se habituar que eu falo e isso tem de ter consequências. Chega de palavras, é preciso ações. Quando tenho de falar, eu falo diretamente. Se houver algum problema com algum setor, com algum ministro, o primeiro a saber vai ser o primeiro-ministro”, disse hoje António José Seguro durante um café com Fernando Araújo, Manuel Sobrinho Simões, Álvaro Beleza e Isabel Pedroto, no Porto.
Fernando Araújo tinha aparecido na campanha no Mercado do Bolhão, percorrido pela caravana de Seguro antes do café, tendo Seguro classificado o apoio do ex-diretor do SNS como “um apoio importante porque é uma referência na área da saúde e tem demonstrado como é possível organizar e fazer uma gestão diferente dos recursos públicos, e isso dá resultados”.
Já no café, Fernando Araújo, que foi cabeça de lista do PS nas eleições legislativas de maio de 2025, reiterou que “o principal problema das pessoas continua a ser a saúde”, defendendo que “o Presidente da República pode ter um papel fundamental em trazer este tema para cima da mesa e exigir soluções”.
Porém, para António José Seguro, “não é uma mudança que se faça de um dia para o outro”, pois as “mudanças estruturais exigem tempo, correção, ponderação”.
“Naturalmente fico muito feliz com a presença do Fernando Araújo aqui”, manifestou Seguro, que elegeu a Saúde somo principal prioridade de um eventual mandato presidencial, sobre o médico.
Em plena confusão no Mercado do Bolhão, e questionado sobre se foi um erro a saída de Fernando Araújo de diretor-executivo do SNS, Seguro respondeu imediatamente: “Na minha opinião…”, interrompendo a frase.
Fez uma pausa, sorriu, e completou a frase afirmando que “Fernando Araújo é muito, muito competente” e disse esperar “que ainda dê muitos contributos ao país, não contributos regionais, mas contributos nacionais”.
Já sobre se daria um bom ministro da Saúde, Seguro respondeu que não é candidato a primeiro-ministro, delegando essa responsabilidade em “quem forma Governos”, mas salientou, sobre Fernando Araújo, “que a sua qualidade, o seu talento, as suas capacidades de trabalho e a sua ponderação fazem dele um dos portugueses que ainda vai dar muito ao país”.
“Nós temos muito talento no nosso país e temos resultados que decorrem da competência de muita gente. Essas pessoas têm de estar na linha da frente na resposta às questões de saúde”, frisou, recordando que é um setor onde “já há muita gente que provou que se pode, com os mesmos recursos, fazer melhor”.
Ainda no Mercado do Bolhão, Seguro tinha recordado uma reunião com o ex-diretor da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, Alexandre Lourenço, “uma pessoa excecional, fez um trabalho enorme, e de um momento para o outro, porque terminou o seu mandato, foi substituído”.
“Quando as pessoas com talento são substituídas e essa substituição não resulta de uma avaliação dos resultados, então não se está a premiar a qualidade e a competência, e as pessoas vão fazer outras coisas”, afirmou.
Tal como tinha referido no Mercado do Bolhão, no café o médico e investigador Sobrinho Simões referiu que a saúde é um “exemplo típico de uma coisa que tem que ser resolvida com urgência”
“Esta tentativa que nós fizemos de ter as Unidades Locais de Saúde (ULS) é a única solução que nós temos em Portugal. Vamos ver se as conseguimos pôr a funcionar”, defendeu o também médico.














