Presidenciais ‘cruzam-se’ com Operação Marquês e Vistos Gold. Quais as ligações?

Apesar de percursos políticos distintos, António José Seguro e André Ventura, finalistas na corrida às Presidenciais de 2026, surgem associados a dois dos processos judiciais mais mediáticos da última década: a Operação Marquês e o caso dos Vistos Gold.

Revista de Imprensa
Janeiro 27, 2026
12:15

Apesar de percursos políticos distintos, António José Seguro e André Ventura, finalistas na corrida às Presidenciais de 2026, surgem associados a dois dos processos judiciais mais mediáticos da última década: a Operação Marquês e o caso dos Vistos Gold. O antigo líder do PS aparece recorrentemente mencionado em escutas envolvendo José Sócrates, enquanto o presidente do Chega prestou depoimento como testemunha num processo que incidiu sobre decisões fiscais com impacto financeiro relevante.

De acordo com a revista Sábado, o nome de António José Seguro surge nas escutas da Operação Marquês sobretudo através de conversas entre José Sócrates e António Peixoto, antigo quadro das Finanças e comentador político sob o pseudónimo “Miguel Abrantes”, que recebia uma avença mensal de três mil euros através do empresário Carlos Santos Silva. Numa chamada de setembro de 2013, Sócrates criticou duramente o PS no tempo da liderança de Seguro, acusando-o de aprovar normas “inconstitucionais” e afirmando: “O PS não vale nada, pá!”, acrescentando que Seguro “votava tudo com eles”.

Noutras interceções telefónicas, José Sócrates concordou com críticas à ausência de posições públicas de António José Seguro, considerando “uma coisa do outro mundo” o silêncio do então secretário-geral socialista, e chegou a afirmar que “o PS não existe, pá, não existe em nada”. Já em julho de 2014, numa conversa com André Figueiredo, então deputado do PS, o antigo primeiro-ministro reagiu com ironia a comentários sobre a detenção de Ricardo Salgado e a ideia de “separar a política dos negócios”, atribuída ao “líder espiritual” António José Seguro.

No caso de André Ventura, o envolvimento surge no âmbito do processo dos Vistos Gold, no qual foi chamado a depor como testemunha devido a um parecer interno da Autoridade Tributária que permitiu à empresa Intelligent Life Solutions, de Paulo Lalanda de Castro, poupar 1,8 milhões de euros em IVA relativo ao transporte de doentes de guerra na Líbia. Ventura, então inspetor tributário, confirmou em depoimento ter participado no processo de decisão, reconhecendo mais tarde que a certificação apresentada pela empresa se revelava “problemática”.

Confrontado com inconsistências documentais, nomeadamente quanto à autenticidade de certificados provenientes da Líbia, André Ventura afirmou não se comprometer com uma avaliação definitiva sem uma análise jurídica mais aprofundada. Perante novos elementos, admitiu que a posição assumida “não considerou todos os elementos do processo”, reconhecendo limitações na avaliação feita à época e assumindo que nunca se tinha debruçado profundamente sobre a autenticidade dos documentos.

Na mesma inquirição, André Ventura confirmou ainda manter uma relação de amizade com Helena Borges, atual diretora-geral da Autoridade Tributária, acrescentando um elemento adicional de sensibilidade política a um processo que continua a ser referido como um dos mais controversos ligados à atribuição de benefícios fiscais no âmbito dos Vistos Gold.

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