A campanha para a segunda volta das eleições presidenciais de 2026 em Portugal encerrou esta sexta-feira com as principais forças em campo a intensificarem os apelos ao voto e a marcarem distanciamentos claros nas suas visões para o país, poucos dias antes de os portugueses serem chamados às urnas no domingo, 8 de fevereiro.
Esta segunda volta opõe António José Seguro, pelo PS, a André Ventura, do Chega, num processo excecional na democracia portuguesa — esta é apenas a segunda vez que a eleição presidencial é decidida em dois turnos desde 1976.
Ao longo dos últimos dias, Seguro e Ventura saíram por diversas vezes em campanha por todo o país, ajustando o discurso à polarização dos eleitores e às preocupações apontadas pelas sondagens mais recentes, que davam vantagem clara ao candidato socialista. Uma sondagem divulgada esta semana indicou que Seguro liderava com cerca de 67% das intenções de voto contra 33% de Ventura, apontando para uma vitória confortável este domingo.
Seguro apela à unidade e contra o extremismo
António José Seguro centrou o discurso final na necessidade de unidade e estabilidade democrática. Ao longo da campanha, Seguro sublinhou que pretende ser um presidente de todos os portugueses, transcendendo as divisões políticas. “Tem que se escolher alguém com experiência, que não venha aprender no cargo”, afirmou em eventos públicos, apelando ao eleitorado para a necessidade de um perfil mais moderado e institucional para Belém.
Num outro momento, Seguro declarou que “todos são bem-vindos, não há reserva de admissão”, num apelo claro à inclusão de eleitores de diferentes quadrantes políticos no projeto que propõe para a chefia de Estado. Este tipo de formulações tem sido centrais para o discurso do candidato apoiado pelo PS e por vários partidos à sua esquerda e centro-esquerda.
Ventura reforça críticas ao socialismo e apela ao voto patriótico
Do lado de André Ventura, a campanha de encerramento combinou temas de crítica àquilo que descreve como “socialismo corrompido” e apelos a valores conservadores e de reforço da justiça e da lei. Ventura tem destacado questões de segurança, imigração e combate à corrupção como pilares do seu discurso presidenciável, reiterando que pretende ser um chefe de Estado interventivo e que “luta contra o socialismo” percebido como dominante na política portuguesa contemporânea.
Na reta final da campanha, Ventura chegou a propor o adiamento da segunda volta das eleições devido às dificuldades sociais e económicas que o país enfrenta, incluindo situações de calamidade em várias regiões, argumentando que “o momento das pessoas no terreno… é a última preocupação das eleições”, um pedido que o presidente da Comissão Nacional de Eleições rejeitou por não estar previsto no calendário legal.
Contexto e momentos da campanha
A segunda volta decorre num contexto político de elevada fragmentação partidária e descontentamento com os partidos tradicionais, um fenómeno refletido na necessidade de um segundo turno e nas críticas de figuras políticas que qualificaram esta eleição como “histórica”.
Os debates públicos e os momentos de campanha foram marcados por frases que ficaram na memória dos eleitores e pela busca de contrastes entre as visões de país dos dois candidatos, num clima em que as eleições presidenciais assumem um papel central não apenas simbólico, mas como mediador em tempos de polarização política.
A votação desta segunda volta está marcada para domingo, 8 de fevereiro, com os boletins a incluir apenas os dois candidatos apurados, conforme esclarecido pela Comissão Nacional de Eleições.




