Preço do cabaz de alimentos dispara 4 euros numa semana e atinge valor mais alto de sempre

O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste voltou a aumentar e alcançou, pela primeira vez em quatro anos, o valor mais elevado desde que esta entidade acompanha a evolução dos preços dos bens essenciais.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 5, 2026
12:10

O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste voltou a aumentar e alcançou, pela primeira vez em quatro anos, o valor mais elevado desde que esta entidade acompanha a evolução dos preços dos bens essenciais. Na primeira semana de fevereiro, o custo total do cabaz fixou-se nos 253,09 euros, confirmando uma trajetória de subida contínua.

Este novo máximo histórico representa um agravamento de 4,07 euros, o equivalente a uma subida de 1,63% face à semana anterior. Comparando com a primeira semana de 2026, o aumento é ainda mais expressivo: mais 11,26 euros, o que corresponde a uma variação positiva de 4,66%.

Desde janeiro de 2022, data em que a DECO PROteste iniciou a monitorização regular de um cabaz composto por 63 bens alimentares essenciais, o preço total desta cesta aumentou 65,39 euros, o que traduz uma subida acumulada de 38,84%.

Como é calculado o preço do cabaz alimentar
A metodologia utilizada pela DECO PROteste assenta numa análise semanal e sistemática dos preços praticados nos principais supermercados com loja online em Portugal. Todas as quartas-feiras é calculado o valor do cabaz com base nos preços recolhidos no dia anterior.

Para cada produto incluído na lista, é apurado o preço médio entre todas as lojas online onde o artigo se encontra disponível. A soma desses valores médios resulta no custo total do cabaz alimentar para esse dia, permitindo acompanhar a evolução semanal dos preços dos bens essenciais.

Produtos com maiores subidas na última semana
Entre 28 de janeiro e 4 de fevereiro, os maiores aumentos percentuais registaram-se nos cereais de fibra, cujo preço subiu 16%, seguidos dos cereais integrais, com uma subida de 14%, e dos flocos de cereais, que encareceram 10%.

Estas variações contribuíram de forma significativa para o novo aumento do valor global do cabaz alimentar observado no início de fevereiro.

Comparação com o início de 2026 e evolução em quatro anos
Se a comparação for feita com a primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, os produtos que mais encareceram foram a curgete, com uma subida de 51%, a carne de novilho para cozer, que aumentou 18%, e a dourada, cujo preço subiu 17%.

Numa perspetiva mais alargada, desde o início da monitorização, a 5 de janeiro de 2022, os maiores aumentos percentuais foram registados na carne de novilho para cozer, que duplicou largamente de preço com uma subida de 132%, nos ovos, que encareceram 86%, e na polpa de tomate, com um aumento acumulado de 71%.

As razões para o aumento dos preços dos alimentos
A escalada dos preços alimentares nos últimos quatro anos resulta de vários fatores conjugados. Em 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia — dois países que eram importantes fornecedores de cereais para a União Europeia — veio agravar um contexto já marcado pelos efeitos da pandemia de covid-19 e por períodos de seca em Portugal.

A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, refletiram-se nos mercados internacionais e acabaram por se repercutir nos preços ao consumidor. Produtos como carne, hortofrutícolas, cereais de pequeno-almoço e óleos vegetais foram dos mais afetados nesse período.

Em resposta à pressão sobre os preços, o Governo avançou, em abril de 2023, com a isenção de IVA aplicada a um cabaz com mais de 40 alimentos essenciais. Embora a medida tenha contribuído inicialmente para travar a subida dos preços, o seu impacto acabou por se diluir ao longo dos meses, com o cabaz alimentar a voltar a registar aumentos significativos.

Já em 2024, após a reposição do imposto, alguns produtos continuaram a subir de preço, com destaque para o azeite virgem extra, que atingiu o valor mais elevado em abril desse ano. Em 2025, as principais subidas concentraram-se nos ovos, no café torrado moído e no chocolate.

Inflação abranda, mas pressão nos alimentos mantém-se
Os sucessivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para níveis historicamente elevados da taxa de inflação em 2022 e 2023. No entanto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2025 a inflação abrandou para 2,3%, ligeiramente abaixo dos 2,4% registados em 2024.

As estimativas apontam para uma nova desaceleração no início de 2026, com a taxa de inflação a descer de 2,2% em dezembro de 2025 para 1,9% em janeiro. Apesar desta tendência, o preço dos bens alimentares essenciais continua a exercer uma forte pressão sobre o orçamento das famílias, como demonstra o novo recorde atingido pelo cabaz alimentar da DECO PROteste.

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