Preço do cabaz alimentar já subiu quase 10 euros desde o início de 2026 e nunca esteve tão caro

O preço do cabaz alimentar voltou a agravar-se no início de 2026 e registou, em apenas três semanas, uma subida próxima dos 10 euros.

Pedro Gonçalves
Janeiro 22, 2026
10:03

O preço do cabaz alimentar voltou a agravar-se no início de 2026 e registou, em apenas três semanas, uma subida próxima dos 10 euros. De acordo com os cálculos da DECO PROteste, desde o início do ano o custo desta cesta de bens essenciais aumentou 9,67 euros, o que representa um acréscimo de cerca de 4%.

Na quarta-feira, o cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste passou a custar 251,49 euros, o valor mais elevado registado nos últimos quatro anos, desde que a associação de defesa do consumidor acompanha semanalmente a evolução dos preços de 63 bens alimentares essenciais.

Só na última semana analisada, entre 14 e 21 de janeiro, o aumento foi de 2,40 euros, correspondendo a uma subida de 0,96%. Em comparação com o mesmo período do ano passado, os consumidores estão hoje a pagar mais 9,64 euros pelo mesmo conjunto de produtos, o que equivale a um aumento de quase 4%. O agravamento é ainda mais expressivo quando comparado com há quatro anos: em janeiro de 2022, era possível adquirir exatamente os mesmos 63 produtos por menos 63,79 euros, uma diferença de quase 34%.

Como é calculado o preço do cabaz alimentar
A DECO PROteste acompanha, há quatro anos, a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais em Portugal. Todas as quartas-feiras é calculado o custo total do cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.

O método passa pelo apuramento do preço médio de cada produto nas várias lojas onde está disponível no simulador da associação. Posteriormente, a soma dos preços médios dos 63 produtos permite determinar o valor total do cabaz num determinado dia. A lista completa dos bens analisados inclui alimentos considerados essenciais no consumo das famílias portuguesas.

Produtos com maiores subidas recentes
Na última semana analisada, os maiores aumentos percentuais de preço registaram-se na curgete, que encareceu 13%, na carne de novilho para cozer, com uma subida de 10%, e na couve-flor, cujo preço aumentou 7%.

Se a comparação for feita entre os preços atuais e os da primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, a curgete volta a destacar-se, com um aumento de 25%. Seguem-se o esparguete, que subiu 19%, e a massa em espirais, com um agravamento de 17%.

Evolução dos preços desde 2022
Numa perspetiva de mais longo prazo, desde o início da monitorização da DECO PROteste, a 5 de janeiro de 2022, os produtos que mais encareceram foram a carne de novilho para cozer, cujo preço aumentou 118%, os ovos, com uma subida de 86%, e a polpa de tomate, que registou um aumento de 68%.

Estes valores ilustram a pressão acumulada sobre os preços dos alimentos nos últimos quatro anos, com impactos significativos no orçamento das famílias.

As razões para a escalada dos preços alimentares
A DECO PROteste explica que a subida dos preços dos alimentos teve origem em vários fatores conjugados. Em 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia — países de onde provinha uma parte significativa dos cereais consumidos na União Europeia e em Portugal — agravou um contexto já marcado pelos efeitos da pandemia de covid-19 e pela seca registada em território nacional.

A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, refletiram-se num aumento generalizado dos preços nos mercados internacionais. Este impacto chegou rapidamente ao consumidor final, afetando produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço e os óleos vegetais.

Perante este cenário, o Governo avançou, em abril de 2023, com a isenção do IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. Embora a medida tenha contribuído, numa fase inicial, para conter a subida dos preços, o efeito acabou por se diluir ao fim de alguns meses, com o custo do cabaz alimentar a voltar a aumentar.

Em 2024, após a reposição do imposto, alguns produtos continuaram a registar subidas expressivas, como o azeite virgem extra, que atingiu o seu valor mais elevado em abril desse ano. Já em 2025, os aumentos mais significativos concentraram-se em produtos como os ovos, o café torrado moído e o chocolate.

Inflação abranda, mas preços continuam elevados
Os sucessivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para níveis historicamente elevados da inflação em 2022 e 2023. Contudo, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025 a taxa de inflação terá abrandado para 2,3%, ligeiramente abaixo dos 2,4% registados em 2024. A taxa de inflação de dezembro de 2025 deverá ter-se fixado nos 2,2%.

Apesar deste abrandamento, os preços dos bens alimentares mantêm-se elevados, o que continua a pressionar o orçamento das famílias.

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