Numa altura em que a União Europeia (UE) está em ‘guerra’ com a AstraZeneca e a Pfizer devido ao atraso no fornecimento de vacinas, o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a Europa pediu calma e paciência. Hans Kluge afirmou esta quinta-feira que as empresas farmacêuticas estavam a trabalhar sem parar para colmatar a falta de fornecimentos aos países que lutam para conter a pandemia.
“Não significa necessariamente que cada país do mundo começa a vacinar exatamente ao mesmo momento. O bom entendimento é que ninguém está a salvo antes de todos estarem a salvo”, disse durante uma conferência de imprensa esta quinta-feira.
Questionado sobre os atrasos na entrega de vacinas da Pfizer e da AstraZeneca aos 27 Estados-membros da União Europeia, Kluge e uma especialista em vacinação da OMS Europa, Siddhartha Datta, apelaram aos governos e farmacêuticas para que cooperassem na resolução dos problemas.
“A realidade é que existe uma escassez de vacinas, mas não duvidamos que os fabricantes e produtores estão a trabalhar sem parar para colmatar as lacunas, e estamos confiantes que os atrasos que estamos a ver agora serão compensados por uma produção extra no futuro”, disse ainda Kluge.
A OMS reiterou que as vacinas deveriam ser partilhadas equitativamente, entre nações pobres e ricas, para ajudar a pôr fim à pandemia. Siddhartha Datta sublinhou que as vacinas contra a covid-19 eram “um bem público global”.
A ‘corrida’ na Europa para assegurar o fornecimento de vacinas intensificou-se à medida que o Reino Unido exige receber todas as vacinas que pagou, depois de a UE ter pedido à AstraZeneca para desviar os fornecimentos do Reino Unido, uma vez que o país está mais avançado do que os restantes vizinhos europeus.
A União Europeia, cujos Estados-membros estão também muito atrás de Israel e dos Estados Unidos, está a esforçar-se para obter vacinas, numa altura em que os maiores fabricantes de medicamentos do Ocidente atrasam as entregas ao bloco, devido a problemas na produção.
“Precisamos de ser pacientes, levará tempo a vacinar”, apelou Kluge, acrescentando que um total de 35 países na Europa tinha administrado 25 milhões de doses até à data.














