PR lembra hotelaria que residentes já “têm aguentado” setor e apela a atenção nos preços

      Porto, 11 fev 2026 (Lusa) – O Presidente da República lembrou hoje os empresários hoteleiros que há alturas em que são os turistas nacionais a compensar a queda de turistas estrangeiros, pedindo atenção para o custo-benefício na gestão de preços.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 11, 2026
22:28

      O Presidente da República lembrou hoje os empresários hoteleiros que há alturas em que são os turistas nacionais a compensar a queda de turistas estrangeiros, pedindo atenção para o custo-benefício na gestão de preços.


      “Tem sido o turismo interno a aguentar muitíssimo e muitíssimo bem aquilo que de vez em quando é – e foi um bocadinho o final do ano passado e o começo deste ano – a hesitação do turismo internacional. E esse é um desafio acrescido”, disse o Presidente da República.


      Marcelo Rebelo de Sousa, numa mensagem gravada para o auditório do 35.º Congresso Nacional da AHP, organizado pela Associação da Hotelaria de Portugal, que decorre no Porto.


      “É o desafio de continuar a aumentar a qualidade, sofisticar a qualidade, de não perder a cabeça como aqui e ali houve, em termos de preços, de tal forma que a relação de custo-benefício se degradou, uma por outra vez, comparando com o mercado vizinho”, alertou o Chefe de Estado.


      Em 30 de janeiro, o Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou que o alojamento turístico em Portugal registou 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas em 2025, mais 3,0% e 2,2% face a 2024, com as dormidas dos residentes a acelerarem, diminuindo a dependência dos mercados externos.


      “É termos a noção que essa imprevisibilidade (da conjuntura internacional) pode ainda durar algum tempo. É termos a noção de que temos de ir oferecendo os mesmos produtos com maior qualidade, outros produtos com maior qualidade e uma capacidade de renovação, inclusive geracional, do turismo do nosso país”, alertou.


      Segundo os dados preliminares da atividade turística divulgados pelo INE, no ano passado os proveitos totais do setor (resultantes de toda a atividade do estabelecimento hoteleiro) ultrapassaram, pela primeira vez, os 7.000 milhões de euros, atingindo 7.200 milhões (+7,2% face a 2024).


      Já os proveitos relativos a aposento (apenas referentes às dormidas) totalizaram 5.500 milhões de euros (+6,8%).


Em 2025 face a 2024, o INE dá conta de uma aceleração do crescimento das dormidas dos residentes (+5,4%; +2,2% em 2024) e de um abrandamento nas dos não residentes (+0,8%; +4,9% em 2024).


      Marcelo recordou que há cerca de um ano, tinha chamado a atenção para uma vantagem que Portugal apresentava. “Era europeu, mas era atlântico. Era visto como suficientemente longe da guerra no Leste para poder dar a sensação – com a vantagem de ser europeu -, de não ter os inconvenientes de uma tal proximidade”.


      Hoje, o balanço é que “o turismo tem continuado a crescer”, mas há a hotelaria e a restauração têm hoje novos desafios.


      “Naquela altura, dizia, preparem-se para o possível. Primeiro porque a guerra demora tempo a acabar, (…)”, porque há outros conflitos no mundo, que vão aumentar a imprevisibilidade, porque, entretanto, isso tem repercussões no bolso das pessoas por todo o mundo – e se há alguns que aguentam e continuam a crescer, como o turismo americano, menos o turismo do Canadá, aqui e ali há algum turismo europeu, outros não, porque a recuperação na Europa tem sido mais lenta do que desejaríamos”.


      Marcelo Rebelo de Sousa recordou também a plateia quando há 10 anos o setor apelava para o aumento do turismo vindo do estrangeiro e o Chefe de Estado dizia: “Não queiram de repente passar de 80 para oito, porque ainda teremos tempos em que a conjuntura internacional, mundial e europeia, tornarão um desafio maior o manter o ritmo de crescimento, e de crescimento quantitativo, mas também qualitativo, do turismo em Portugal”.


      “E estamos um bocadinho por aí” atualmente, frisou.


      Na mensagem, o Chefe de Estado agradeceu e elogiou o trabalho que tem sido feito por todo o setor e pelos empresários da hotelaria, que têm sabido “resistir aos desafios” que se têm somado nos últimos dez anos e que “transformou Portugal num caso de moda e de sucesso”.


      “Felizmente, o panorama como um todo é bom, mas há que torná-lo ainda melhor”, concluiu o Presidente da República.


      


 

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