Já começaram a ser implementadas no Algarve as medidas para combater a seca que afeta a região. Tavira já aplicou a redução na pressão da rede de abastecimento esta terça-feira, afetando a maioria das torneiras. Foi o primeiro concelho a fazê-lo.
No entanto, nem todos os locais deram pela mudança. Questionados pela Antena 1, são vários os tavirenses que dizem notar “tudo normal”. Em causa estará o horário em que é feita a redução da pressão da água nas torneiras.
A medida, recorde-se está em vigor entre as 00h00 e as 6h00, em nome da poupança de água.
No entanto, uma moradora diz ter reparado já esta madrugada que “a água saia com muito menos pressão” das torneiras de sua casa.
Dora acrescenta, em declarações à Antena 1, que concorda com esta regra. “Temos muita falta de água, e espera-se uma seca muito grande este ano. Temos mesmo de reduzir [o consumo de água]”, considera.
O Governo anunciou, há menos de duas semanas, que o Algarve iria ter cortes de água de 25% na agricultura e de 15% no setor urbano, que inclui o turismo, para preservar as reservas de água e fazer face à seca.
De acordo com a ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, estão a ser estudadas possibilidades de apoio financeiro para o setor agrícola.
Questionado sobre os restantes setores afetados, Duarte Cordeiro sublinhou, por um lado, que não há qualquer “restrição ao desenvolvimento da atividade” turística, apenas um “condicionamento relativamente à eficiência hídrica e poupança de água”.
Por esse motivo, afastou a necessidade de apoios e acrescentou que “o setor devia mostrar ao país a capacidade de internalizar este processo de mudança como algo positivo, algo que pudesse valorizar o Algarve”.
Quanto ao comércio, explicou que está ainda a ser avaliada a capacidade de o Governo implementar medidas que restrinjam alguma atividade comercial e só, nesse caso, é que serão equacionadas compensações.
A necessidade de impor cortes de água no Algarve foi decidida pela Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca que, de acordo com Duarte Cordeiro, propõe 46 medidas que deverão constar de uma resolução do Conselho de Ministros.
Deverão ser aplicadas por municípios, Águas do Algarve, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, gestão dos aproveitamentos hidroagrícolas e setor do turismo.
No entender do ministro do Ambiente, as medidas eram obrigatórias face à atual situação no Algarve, onde a capacidade das albufeiras se encontra a um nível de 25%, comparado com os 45% do ano passado pela mesma altura.
“Se não tomássemos decisões, corríamos o risco de não ter água para abastecimento público até ao final do ano”, defendeu o governante.
O ministro acrescentou ainda que as medidas propostas resultam de um trabalho de duas semanas na região, junto de agricultores, setor do turismo e autarcas.
*Com Lusa













