A Alemanha recebeu oficialmente o primeiro dos oito aviões de patrulha marítima Boeing P-8A Poseidon, concebidos para caçar submarinos e reforçar as capacidades de vigilância naval da Bundeswehr. A entrega, realizada no aeroporto de Berlim-Brandemburgo, contou com a presença do ministro da Defesa, Boris Pistorius, que destacou o momento como “um salto qualitativo na segurança marítima europeia”.
Segundo a ‘Euronews’, o Poseidon — derivado da estrutura de um Boeing 737 — substitui os veteranos P-3C Orion, que há décadas garantiam a observação marítima alemã, mas já apresentavam limitações técnicas e operacionais.
O P-8A Poseidon é hoje considerado o avião de patrulha marítima mais avançado do mundo. Equipado com sensores eletrónicos de última geração, radares de longo alcance e sistemas acústicos capazes de detetar movimentos submarinos a centenas de quilómetros, o aparelho tem uma autonomia superior a 7.000 quilómetros e pode operar durante mais de dez horas sem reabastecimento.
A aeronave transporta torpedos MK-54, com 2,7 metros e 300 kg, desenhados para neutralizar submarinos inimigos, e pode ainda ser armada com até quatro mísseis AGM-84 Harpoon, destinados à destruição de navios de superfície.
O sistema inclui boias sonar lançáveis, que emitem sinais acústicos para detetar e seguir a rota de submarinos — uma tecnologia essencial para rastrear embarcações russas que operam discretamente no Atlântico.
A nova fronteira estratégica: o “GIUK Gap”
O P-8A Poseidon vai concentrar a sua atividade no chamado “GIUK Gap”, o corredor marítimo que liga a Gronelândia, Islândia e Reino Unido, zona crítica para a segurança da NATO. Este estreito serve como passagem natural entre o Ártico e o Atlântico Norte e tem ganho importância à medida que a Rússia intensifica as operações dos seus submarinos nucleares de ataque e de mísseis balísticos.
“Com o Poseidon, podemos saber onde estão e o que estão a fazer”, afirmou Boris Pistorius, sublinhando a necessidade de vigilância constante sobre as rotas marítimas que ligam a Europa e a América do Norte.
A aeronave também deverá operar sobre o Mar Báltico e o Mediterrâneo, regiões onde a presença naval russa e o risco de sabotagem a cabos submarinos e gasodutos europeus aumentaram desde a invasão da Ucrânia.
A rare photo showing the weapons bay of a P-8A Poseidon Long-Range Maritime Patrol (LRMP) aircraft, armed with Mark 54 Anti-Submarine Warfare (ASW) Torpedoes. pic.twitter.com/K8Il2uLFt3
— OSINTWarfare (@OSINTWarfare) October 5, 2025
De substituição a símbolo de modernização
O programa alemão para o P-8A Poseidon representa um investimento de cerca de 3,1 mil milhões de euros, com entregas previstas até 2028. O objetivo é substituir os antigos P-3C Orion, comprados em segunda-mão aos Países Baixos em 2004 e hoje com quase 40 anos de serviço.
Os novos aviões terão base em Nordholz, no norte da Alemanha, e deverão integrar missões conjuntas com o Reino Unido, ao abrigo do acordo Trinity House, assinado em 2024. Este protocolo prevê o intercâmbio de informações e a coordenação operacional para cobrir todo o Atlântico Norte.
Segundo a ‘Euronews’, o primeiro Poseidon será totalmente operacional em 2026, coincidindo com o aumento da vigilância aérea aliada sobre as rotas marítimas do Norte.
Reforço europeu e resposta à Rússia
A aquisição do P-8A Poseidon insere-se num movimento mais amplo de modernização das forças armadas europeias, impulsionado pela guerra na Ucrânia e pelo aumento da atividade russa no Atlântico e no Ártico. Países como o Reino Unido, a Noruega e os Estados Unidos já operam este modelo, que permite integrar de forma imediata as missões de reconhecimento no sistema de defesa da NATO.
A frota alemã de Poseidon passa assim a desempenhar um papel central na proteção das rotas de abastecimento transatlânticas e das infraestruturas críticas submarinas, nomeadamente cabos de internet e oleodutos — alvos potenciais de sabotagem ou espionagem.
Com esta entrega, a Alemanha reforça a sua posição no eixo de segurança do Norte da Europa e reafirma o compromisso com a defesa comum da aliança atlântica, num cenário global cada vez mais tenso e competitivo.














