Portugueses votam na segunda volta presidencial num clima de calamidade: sucessor de Marcelo é escolhido hoje nas urnas

Disputa decorre após a primeira volta, realizada a 18 de janeiro, em que nenhum dos candidatos conseguiu alcançar a maioria absoluta

Francisco Laranjeira
Fevereiro 8, 2026
7:30

Este domingo, os portugueses voltam a ser chamados às urnas para decidir a segunda volta das eleições presidenciais de 2026, que opõe António José Seguro, candidato apoiado pelo PS, e André Ventura, líder do Chega. A disputa decorre após a primeira volta, realizada a 18 de janeiro, em que nenhum dos candidatos conseguiu alcançar a maioria absoluta.

A reta final da campanha indica um cenário favorável a António José Seguro, que lidera as intenções de voto em praticamente todos os segmentos analisados, incluindo idades, regiões e classes sociais. Os dados mais recentes de sondagem apontam para uma vantagem de 25,5 pontos percentuais sobre André Ventura, consolidando o socialista como claro favorito à vitória.

Eleitores em áreas afetadas por calamidade terão voto adiado

A votação no domingo será condicionada em três concelhos onde a situação de calamidade impede a realização do ato eleitoral na data prevista. Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã comunicaram formalmente à Comissão Nacional de Eleições (CNE) que não podem garantir o voto presencial, afetando um total de 26.678 eleitores. Estes eleitores exercerão o direito de voto apenas na segunda volta, agendada para 15 de fevereiro.

A situação de calamidade, provocada pelas recentes tempestades que afetaram várias regiões de Portugal, abrange 68 municípios e 1.589.165 eleitores, correspondendo a 14,4% do eleitorado nacional. Apesar do adiamento em alguns concelhos, a maior parte do país votará normalmente no domingo.

Campanha marcada por tendências consolidadas

Segundo as sondagens da Pitagórica, António José Seguro mantém vantagem consistente sobre André Ventura em todas as regiões do país, com maior expressão no Norte e entre mulheres e eleitores mais velhos. Ventura apresenta melhor desempenho no grupo dos 35 aos 54 anos e entre eleitores de classes sociais mais baixas, mas a transferência de votos de outros candidatos da direita não foi suficiente para inverter a tendência.

O crescimento dos indecisos, agora a 8,9%, e dos votos brancos ou nulos, a 9,6%, reflete alguma volatilidade na reta final da campanha, mas não altera o quadro de favoritismo do candidato socialista. Se estes votos fossem distribuídos proporcionalmente, António José Seguro poderia atingir 65,6% das intenções de voto, contra 34,4% para Ventura.

Recomendação para eleitores

A CNE recomenda que os eleitores confirmem a sua mesa de voto e horário de funcionamento, especialmente nos concelhos afetados por calamidade, onde os boletins serão disponibilizados apenas na data remarcada. A participação presencial continua a ser obrigatória para todos os eleitores da diáspora e do território continental.

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