Portugal vai manter conversações com Espanha e França nas próximas semanas para acelerar os projetos de interligação energética, indicou esta terça-feira, em declarações à agência ‘Reuters’, a ministra da Energia.
Maria da Graça Carvalho indicou que “após o apagão, pressionámos ainda mais a Comissão Europeia e França, juntamente com Espanha. Como resultado deste contacto, o Governo francês solicitou uma reunião”, explicou, salientando que as negociações vão decorrer no início de outubro.
A deficiente ligação elétrica entre Espanha e Portugal e o resto da Europa foi evidenciada pela falha de energia sem precedentes nos países em abril último, que, segundo os especialistas, poderia ter sido menos grave se a Península Ibérica tivesse mais interligações para trocar energia com outros países.
A convicção da ministra é que o Governo francês está disposta a acelerar os projetos, especialmente depois de o Banco Europeu de Investimento ter anunciado que vai apoiar o projeto de interligação energética do Golfo da Biscaia entre Espanha e França com 1,6 mil milhões de euros. “São bom sinais”, indicou Maria da Graça Carvalho.
A Península Ibérica tem apenas 3% da sua capacidade elétrica ligada aos vizinhos europeus, muito abaixo da meta da UE de que os países atinjam os 15% até 2030.
Relatório de peritos europeus deverá ser conhecido esta sexta-feira
O painel de peritos europeus que investiga o apagão ibérico de 28 de abril prevê publicar o relatório factual sobre o incidente esta sexta-feira, quase um mês antes do prazo legal fixado em 28 de outubro.
A decisão foi anunciada em comunicado pela Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês) após a quinta reunião do grupo, realizada a 18 de agosto, na qual foi feito o ponto de situação da investigação.
A fase de recolha de dados está “quase concluída” e permitirá avançar para a investigação aprofundada e consecutiva elaboração do relatório final que deverá ser publicado até 30 de setembro de 2026.
Apesar de reportarem algumas dificuldades em obter informação “relevante e de qualidade” junto de alguns operadores de distribuição e empresas de produção de eletricidade, os peritos sublinham que a análise estará pronta antes do calendário inicialmente previsto. A confirmação da data de 03 de outubro será feita na próxima reunião do painel, a 02 de setembro.
O apagão, classificado pela ENTSO-E como “excecional e grave”, deixou Portugal e Espanha praticamente sem eletricidade durante mais de 10 horas. Aeroportos encerrados, congestionamento nos transportes e falta de combustíveis estiveram entre as consequências imediatas.
Até agora, o aumento de tensão em cascata, um fenómeno técnico inédito na Europa, tem sido a causa apontada para o incidente.
Esta foi a conclusão da anterior reunião de 15 de julho do grupo de peritos, cujo painel integra a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), bem como operadores e reguladores de vários países europeus.
Segundo a ENTSO-E, os aumentos de tensão em cascata, observados no sul de Espanha na fase final do incidente, foram seguidos de desligamentos súbitos de produção, sobretudo em instalações renováveis, e conduziram à separação elétrica da Península Ibérica em relação ao sistema continental, com perda de sincronismo e colapso da frequência e tensão.
Este tipo de perturbação nunca tinha sido identificado como causa de apagão em nenhum ponto da rede europeia. A confirmar-se esta conclusão, será necessária “uma análise e investigação aprofundadas por parte de todos os especialistas em sistemas elétricos da ENTSO-E”, bem como a adoção de novas medidas para reforçar a resiliência, como tinha alertado o grupo de peritos.















