Portugal quer Defesa europeia “a 360 graus” com atenção ao flanco oeste

Dez países europeus do flanco leste do bloco europeu vão avançar com um muro contra drones, um sistema de defesa aérea para detetar e reagir à entrada irregular destas aeronaves pilotadas remotamente, e que pode ser alargado ao resto do território.

Executive Digest com Lusa
Setembro 30, 2025
16:45

Portugal quer uma Defesa europeia “a 360 graus”, incluindo o flanco oeste, quando a União Europeia (UE) se foca em proteger o flanco leste da ameaça russa, defendeu hoje no parlamento a secretária de Estado dos Assuntos Europeus.

“Sem descurar da preocupação com o flanco leste, Portugal tem estado de forma muito determinada a indicar que também temos áreas onde é importante reforçar a Defesa”, referiu Inês Domingos, durante uma audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, antecipando a cimeira informal da UE, que decorre na quarta-feira na Dinamarca.

O Governo português, referiu, “defende uma ideia de Defesa de 360 graus, incluindo o flanco oeste”, apontando que Portugal tem cabos submarinos e é “um Estado-membro que é fronteira”.

Dez países europeus do flanco leste do bloco europeu vão avançar com um muro contra drones, um sistema de defesa aérea para detetar e reagir à entrada irregular destas aeronaves pilotadas remotamente, e que pode ser alargado ao resto do território.

A decisão surge em consequência da violação do espaço aéreo da Polónia e Roménia por drones russos, bem como por suspeitas na Alemanha, além da aproximação de caças russos à Estónia e Lituânia.

A Dinamarca foi alvo, na semana passada, de um ataque híbrido, tendo-se registado vários sobrevoos de aeroportos — o de Copenhaga, o maior do norte da Europa, chegou a estar encerrado durante várias horas — e de bases militares por drones de origem não identificada.

Inês Domingos reiterou a condenação veemente do Governo português a estas incursões, que deputados do PSD e da Iniciativa Liberal consideraram ser tentativas russas de “testar a coesão da NATO”.

“Estamos numa situação de alerta, em que temos de estar preparados”, considerou a secretária de Estado.

Questionada pelo PSD sobre o equilíbrio entre o investimento da Defesa no âmbito da União Europeia e as responsabilidades sociais do Estado, a governante afastou preocupações.

“A preocupação do Governo com a coesão social e territorial, as políticas de desenvolvimento económico, não será prejudicada pelo esforço adicional para reforçar a defesa e segurança”, referiu Inês Domingos.

Para a responsável, esta é uma “preocupação compreensível mas que será ultrapassada”.

“O objetivo do Governo e dos restantes Estados-membros é que este esforço adicional beneficie a indústria com resultados concretos em termos de economia e de emprego”, salientou, apontando a oportunidade que representa a liderança portuguesa no fabrico de drones.

Por outro lado, respondendo ao PS, a governante também defendeu que “um esforço conjunto” dos Estados-membros da UE em termos de defesa permitirá “uma maior racionalidade e reduzir custos”, negando antecipar dificuldades com a NATO, antes pelo contrário: “Até nos facilita o diálogo com os outros Estados” da organização atlântica.

Durante a audição, o deputado do Chega Pedro Correia criticou a “fraqueza da Europa ao reconhecer o Estado da Palestina com zero resultados práticos” – Portugal e outros países da UE, além de Reino Unido, Canadá e Austrália deram esse passo na semana passada.

“Tenho pena que o Governo tenha feito mau uso do seu ‘soft power’ e tenha ficado do lado dos fracos, em troca de um fraco lugar como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, disse, referindo-se à candidatura de Portugal àquele órgão no biénio 2027/2028.

Inês Domingos considerou esta posição “pouco razoável”.

“O reconhecimento resulta de vários fatores (…), como a situação atual em que se encontram Israel e Palestina, a perspetiva de não intervenção do Hamas, o reforço da Autoridade Palestiniana e perdas elevadas de vidas. Não há outros motivos para este reconhecimento, quero deixar muito claro”, salientou.

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