Portugal encerra 2025 com queda de 4,4% nas insolvências; em 2026 aumento pode atingir 2%

Este decréscimo é visto como um sinal de robustez, disciplina financeira e maturidade do tecido empresarial português.

André Manuel Mendes
Janeiro 23, 2026
11:49

Portugal terminou o ano de 2025 com uma descida de 4,4% nas insolvências, face a 2024, registando 2.256 casos, contra 2.361 no ano anterior, segundo dados da Allianz Trade, líder mundial em Seguro de Crédito. Este decréscimo é visto como um sinal de robustez, disciplina financeira e maturidade do tecido empresarial português.

“A evolução das insolvências não foi linear ao longo do ano de 2025, reflexo da complexidade e da incerteza do ambiente económico à escala mundial, mas revelou consistência suficiente para consolidar um balanço favorável. Este comportamento traduz empresas mais conscientes do risco, mais criteriosas na tomada de decisões e com maior foco na eficiência operacional e na preservação de liquidez. As microempresas, que continuam a representar a maior fatia do tecido empresarial nacional, registaram uma redução relevante das insolvências, evidenciando uma maior capacidade de resistência num segmento tradicionalmente mais exposto a choques económicos”, afirma Nadine Accaoui, presidente do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executiva da Allianz Trade em Portugal.

O relatório aponta ainda que as microempresas, que constituem a maior parte do tecido empresarial nacional, registaram uma redução significativa de insolvências, evidenciando maior capacidade de resistência num segmento tradicionalmente mais vulnerável a choques económicos.

Diferenças regionais e setoriais

Do ponto de vista geográfico, o comportamento das insolvências manteve-se equilibrado nos principais polos empresariais. Distritos como Porto e Braga registaram quedas de 3,0% e 7,9%, respetivamente, enquanto Lisboa apresentou um aumento moderado de 4,3%, refletindo a sua maior diversidade económica e maior exposição a atividades intensivas em serviços.

No plano setorial, a evolução também foi heterogénea. O setor dos serviços apresentou uma ligeira subida (+1,6%), enquanto a construção registou uma redução de 2,0%, refletindo ajustes realizados nos últimos anos. Setores como o têxtil e o retalho destacaram-se por quedas mais significativas (-29,1% e -5,6%, respetivamente), sinalizando um processo de normalização após períodos de maior pressão.

Perspetivas para 2026

Para 2026, a Allianz Trade prevê uma estabilização das insolvências, admitindo um crescimento moderado de até 2%. Contudo, estas projeções dependem da evolução das tensões geopolíticas e da instabilidade no contexto internacional, que podem afetar a confiança, o investimento e a atividade económica.

 

 

 

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