Porta-vozes e comentadores próximos do Kremlin ameaçaram publicamente destruir o Reino Unido com mísseis nucleares, afirmando que o país poderia “deixar de existir”, ao mesmo tempo que a Rússia mantinha contactos diplomáticos com enviados de Donald Trump para discutir um eventual caminho para a paz na Ucrânia. As declarações foram transmitidas pela televisão estatal russa e citadas pelo tabloide ‘Daily Star’.
As ameaças surgiram após quase quatro horas de conversações noturnas no Kremlin entre Vladimir Putin e os emissários de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner. No final do encontro, Moscovo voltou a afastar qualquer possibilidade de fim da guerra sem que a Ucrânia ceda a região de Donbass, deixando claro que não está disposta a abdicar dos seus objetivos territoriais.
Apesar de estarem previstas novas negociações presenciais entre representantes russos, ucranianos e americanos, agendadas para esta sexta-feira e sábado em Abu Dhabi, o presidente russo não deu sinais de recuar na estratégia de fragmentar a Ucrânia como condição para um acordo.
Durante este contexto diplomático, a televisão estatal russa emitiu ameaças explícitas contra o Reino Unido. Sergei Karaganov, conselheiro de Putin conhecido como “Professor Apocalipse”, afirmou que a Grã-Bretanha deveria ser um dos alvos prioritários de um ataque nuclear. Segundo Karaganov, Moscovo teria capacidade para lançar um ataque “desarmante e devastador”, advertindo que, em caso de resposta, os ataques russos seriam dirigidos às cidades britânicas, levando ao desaparecimento do país.
As declarações foram apresentadas como parte de uma estratégia que, segundo o próprio, deveria ser “óbvia” e comunicada aos “inimigos britânicos”, num discurso que ridicularizou as tentativas de alcançar uma paz que mantivesse a Ucrânia como um Estado viável.
O principal propagandista televisivo do Kremlin, Vladimir Solovyov, reforçou a retórica, defendendo o uso do drone submarino nuclear Poseidon contra o Reino Unido, com o objetivo de provocar um tsunami que afundaria o país. Solovyov apontou Londres como um inimigo “muito mais sistemático” da Rússia, acusando o Reino Unido de russofobia histórica e sugerindo que poderia vir a fornecer componentes para armas nucleares ou táticas à Ucrânia.
Segundo o ‘Daily Star’, Solovyov chegou mesmo a afirmar que atacaria primeiro a Grã-Bretanha, ironizando que, após o país ficar submerso, o mais importante seria garantir que os navios russos não colidissem com o Big Ben.
Estas ameaças surgem num momento em que o Reino Unido ainda não aderiu ao chamado “Conselho de Paz” proposto por Donald Trump. A secretária dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, justificou a posição britânica com preocupações legais e políticas, sublinhando a falta de sinais concretos de compromisso de Vladimir Putin com um processo de paz real na Ucrânia.














