A decisão do governo italiano de renomear o Aeroporto de Malpensa, em Milão, em homenagem ao ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, está a gerar uma onda de protestos e críticas em todo o país.
Os Jovens Democratas da Lombardia, uma ala do partido de esquerda, lançaram uma petição pedindo às autoridades que reconsiderassem a decisão. Até segunda-feira, a petição já tinha recolhido mais de 16.000 assinaturas. Figuras da oposição denunciaram a iniciativa do governo, argumentando que Berlusconi, uma figura controversa e divisiva, não é um nome apropriado para um dos principais centros internacionais de Itália.
A controvérsia começou na sexta-feira, quando o Ministro dos Transportes, Matteo Salvini, anunciou numa conferência no sul de Itália que a Autoridade Nacional de Aviação Civil (ENAC) tinha aprovado um pedido da região da Lombardia para renomear o Aeroporto de Malpensa em homenagem a Berlusconi. “A decisão final cabe ao Ministro da Infraestrutura e Transportes, e estou pronto para colocar a última assinatura, com orgulho e emoção,” escreveu Salvini na plataforma X. “Em memória do meu amigo Silvio, um grande empreendedor, um grande milanês e um grande italiano. Sempre connosco.”
A decisão foi fortemente criticada por partidos e grupos de oposição. Nicola Di Marco, líder do Movimento 5 Estrelas na Lombardia, escreveu no Facebook que nomear o aeroporto em homenagem a Berlusconi representa “um sinal de total decadência das instituições italianas.” Di Marco comparou a decisão com a nomeação de aeroportos em homenagem aos magistrados anti-máfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, salientando a diferença entre alguém que lutou contra a máfia e alguém que, segundo ele, envergonhou Itália com inúmeros escândalos.
Greta Cogotti, vice-presidente da câmara municipal de Biella e membro do Partido Democrático, também criticou a decisão, sugerindo sarcasticamente que um “centro de massagens com final feliz” seria uma homenagem mais apropriada a Berlusconi.
A petição dos Jovens Democratas argumenta que o aeroporto merece um nome “que incorpore valores de honestidade, integridade e serviço à comunidade.” Tiziana Elli, gestora do grupo, afirmou que a petição visa também contar a história de uma geração que não quer glorificar uma figura política condenada por fraude e envolvida em investigações de prostituição infantil e corrupção.
Silvio Berlusconi, que faleceu em junho do ano passado aos 86 anos, liderou quatro governos com o seu partido de centro-direita, Forza Italia, e foi uma das figuras mais polarizadoras da era moderna italiana. Os seus colegas de partido e apoiantes elogiam as suas habilidades empresariais, carisma e contribuições para a economia e política italiana. Contudo, os críticos acusam-no de usar a política para enriquecer a si mesmo e envolvê-lo em múltiplas controvérsias legais e escândalos sexuais.














