Esta sexta-feira, 1 de novembro, Portugal assinala o feriado do Dia de Todos os Santos, uma data profundamente enraizada na tradição cristã e na cultura portuguesa. Mas sabe de onde vem este feriado e o que realmente se celebra neste dia?
O Dia de Todos os Santos é uma festividade católica dedicada à homenagem de todos os santos — tanto os reconhecidos oficialmente pela Igreja como os anónimos que, ao longo dos séculos, foram considerados exemplos de fé e virtude. É uma celebração universal, que presta tributo a todos os que foram “testemunhas vivas e luminosas de Cristo”, como descreve a própria Igreja Católica.
Embora seja um dos feriados religiosos mais antigos, o Dia de Todos os Santos não tem origem direta nos textos bíblicos. A sua criação foi uma decisão da Igreja, com o objetivo inicial de honrar os mártires cristãos que perderam a vida pela fé.
A primeira comemoração de todos os santos conhecidos remonta ao ano de 610 d.C., quando o Papa Bonifácio IV decidiu instituir uma celebração anual em honra dos mártires. Essa celebração realizava-se a 13 de maio, data em que o Papa consagrou o Panteão de Roma à Virgem Maria e a todos os santos mártires.
No entanto, a data que hoje conhecemos — 1 de novembro — só foi instituída mais de um século depois. Foi o Papa Gregório III, no século VIII, quem designou este dia como a data oficial para celebrar todos os santos, conhecidos e desconhecidos. A decisão foi posteriormente reforçada por Gregório IV, que em 835 proclamou o Dia de Todos os Santos como uma festa cristã a ser observada em todo o mundo.
No século XX, durante o pontificado de Pio X, a celebração foi definitivamente integrada no calendário litúrgico como uma das principais festas da Igreja Católica, adquirindo também estatuto de feriado civil em diversos países, incluindo Portugal.
Em Portugal, o 1 de novembro é tradicionalmente um dia de homenagem e memória. As famílias deslocam-se aos cemitérios para limpar e enfeitar as campas dos seus entes queridos com flores, sobretudo cravos e crisântemos, símbolos de respeito e eternidade. Apesar de o Dia dos Fiéis Defuntos, dedicado especificamente à lembrança dos mortos, se assinalar a 2 de novembro, as duas datas estão fortemente ligadas no imaginário popular.
Hoje, o Dia de Todos os Santos é não só um momento de celebração religiosa, mas também de reflexão sobre a vida, a fé e a memória daqueles que deixaram o seu exemplo. Um feriado que atravessou séculos de história e continua, até aos nossos dias, a ser um marco espiritual e cultural no calendário português.














