O presidente francês, Emmanuel Macron, atingiu no final de setembro o nível mais baixo de popularidade desde que chegou ao Palácio do Eliseu, em 2017. Apenas 22% dos inquiridos dizem ter uma opinião favorável sobre o chefe de Estado, segundo uma sondagem realizada pelo instituto demoscópico Odoxa para a cadeia parlamentar Public Sénat e uma vintena de jornais regionais.
O estudo mostra um “desmoronamento recorde” da imagem de Macron, que perdeu seis pontos em apenas um mês, registando o maior recuo dos últimos oito anos. Para 78% dos franceses, o presidente “não é um bom presidente da República”, um sinal de desgaste profundo a pouco mais de um ano e meio das presidenciais de 2027.
Enquanto a popularidade de Macron se afunda, a extrema-direita reforça a sua posição. Jordan Bardella, atual presidente da União Nacional e considerado herdeiro político de Marine Le Pen, surge como a figura política mais bem avaliada, com 37% de opiniões favoráveis. Logo atrás está a própria Le Pen, com 36%. Apesar de estar inabilitada para concorrer às próximas presidenciais, a líder da extrema-direita continua a ser vista como um dos rostos mais influentes do panorama político francês.
O novo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que prepara a constituição do Governo e o plano orçamental para 2026, regista uma popularidade de 32% — dez pontos acima de Macron. Ainda assim, continua a ser um dos chefes de Governo mais impopulares nomeados pelo atual presidente, apenas superado por François Bayrou. Em comparação, está cerca de dez pontos abaixo da média dos seus antecessores em Matignon, de acordo com o instituto Odoxa.
A sondagem também revela um clima generalizado de pessimismo. Oitenta e três por cento dos franceses dizem estar “preocupados com o futuro do país”. Oito em cada dez antecipam “um aumento dos impostos” e “um crescimento económico fraco” ao longo deste ano. A preocupação estende-se ao sistema de proteção social: numa semana em que se assinalam 80 anos do modelo de copagamento da Segurança Social, 91% afirmam estar muito “apegados” ao regime atual e 90% acreditam que, no futuro, os reembolsos serão piores.
Apesar do descrédito crescente em relação a Macron, a sondagem mostra que a maioria dos franceses continua mobilizada por questões sociais e económicas, com receios de colapso nos serviços públicos e de maior desigualdade. O desgaste do presidente, que já não poderá recandidatar-se em 2027, parece estar a abrir espaço para que Bardella e Le Pen consolidem a extrema-direita como alternativa.
O inquérito foi realizado online nos dias 24 e 25 de setembro, junto de uma amostra representativa de 1005 pessoas com mais de 18 anos, pelo método de quotas. O erro estatístico situa-se entre 1,4 e 3,1 pontos percentuais, segundo o Odoxa.














