Polícia e SIS em alerta com aumento de discurso de ódio de influencers radicais de extrema-direita

O Serviço de Informações de Segurança (SIS) emitiu recentemente um alerta sobre a crescente presença de influencers digitais ligados à extrema-direita, que, através das redes sociais, promovem discursos de ódio e violência, sobretudo direcionados às camadas mais jovens da população.

Revista de Imprensa
Outubro 3, 2025
11:32

O Serviço de Informações de Segurança (SIS) emitiu recentemente um alerta sobre a crescente presença de influencers digitais ligados à extrema-direita, que, através das redes sociais, promovem discursos de ódio e violência, sobretudo direcionados às camadas mais jovens da população. Segundo o Expresso, estes fenómenos representam um desafio crescente à segurança interna e à coesão social em Portugal.

De acordo com uma fonte oficial do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), citada pelo Expresso, “o SIS acompanha todos os fenómenos extremistas que possam colocar em causa a segurança interna. No caso dos influencers digitais ligados à extrema-direita, o fenómeno surgiu nos últimos dois anos, com várias figuras a disseminarem propaganda — memes, vídeos, podcasts — sobretudo na rede social X, inspirados na realidade norte-americana.” A fonte sublinha que este tipo de conteúdo tem “carácter provocatório” e cria “um enorme engajamento com a audiência online”.

O SIS alerta ainda que muitas destas contas mostram “investimento e profissionalismo” e atuam em rede, reforçando mutuamente o alcance das suas mensagens. “O crescimento da audiência destas contas, especialmente entre os mais jovens, contribui para a polarização da sociedade, através da banalização de um discurso abertamente racista, xenófobo, misógino, homofóbico e antidemocrático”, indica o relatório preliminar do último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI). Segundo os serviços secretos, “os conteúdos incentivam ao ódio e à violência e parece existir um sentimento de impunidade face ao que é uma leitura abusiva do direito à liberdade de expressão”.

Também a Polícia Judiciária está atenta a este fenómeno, reconhecendo a necessidade de monitorizar este novo formato de extremismo. Uma fonte oficial da PJ afirmou que este é “um assunto ao qual a polícia presta muita atenção”, destacando o impacto das redes sociais como espaço central de propagação de ideologias radicais.

Especialistas internacionais reforçam a gravidade do problema. Patrick Sawyer, investigador da NOVA FCSH, considera que figuras como Afonso Gonçalves e Numeiro estão entre os “influenciadores mais influentes e preocupantes de Portugal devido à sua retórica racista e misógina”, seguindo estratégias de promoção semelhantes às de movimentos radicais internacionais. O investigador aponta ainda que “esta tendência só piorou desde o regresso de Trump à Casa Branca, já que a sua administração pressionou as empresas de redes sociais a relaxar as restrições ao conteúdo de ódio”.

Este fenómeno evidencia não apenas um desafio tecnológico e jurídico, mas também uma questão social e política, exigindo uma resposta coordenada das autoridades, sociedade civil e plataformas digitais para combater a propagação de ideologias extremistas online.

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