Polícia belga detém dezenas de pessoas e usa gás lacrimogéneo durante grandes protestos em Bruxelas

Sindicatos belgas protestam contra as medidas de austeridade introduzidas pela coligação governamental de direita liderada pelo nacionalista flamengo Bart de Wever, da Nova Aliança Flamenga

Francisco Laranjeira
Outubro 14, 2025
15:35

A polícia belga prendeu dezenas de pessoas e usou gás lacrimogéneo e canhões de água contra um grupo de manifestantes no Boulevard Pachéco, em Bruxelas, durante uma greve nacional que pode ser a maior da Bélgica numa década: de acordo com o jornal ‘POLITICO’, várias pessoas ficaram feridas após o confronto com a polícia, algumas visivelmente abaladas e outras apenas irritadas com as autoridades.

Recorde-se que os sindicatos belgas protestam contra as medidas de austeridade introduzidas pela coligação governamental de direita liderada pelo nacionalista flamengo Bart de Wever, da Nova Aliança Flamenga. No centro da revolta está uma reforma que aumentaria a idade de aposentadoria de 65 para 67 anos até 2030.

“Estávamos a marchar pacificamente e, de repente, havia bombas de fumo e polícias. Não entendi. Para uns 10 arruaceiros, atiraram gás lacrimogéneo em toda a multidão, nos idosos, nas crianças… Foi vergonhoso, uma vergonha absoluta”, descreveu Rafael, funcionário dos Correios, com os olhos vermelhos por causa do gás. “Em vez de abordar o problema, preferiram lançar gás lacrimogéneo contra toda a população que exerce o seu direito de greve”, acusou outro participante.

No entanto, participantes mascarados do protesto vandalizaram o prédio do Escritório de Imigração na Pachéco, com todo o incidente a ser filmado por Anneleen Van Bossuyt, ministra da migração da Bélgica. “O vandalismo contra os meus serviços não tem nada a ver com o direito de greve. Qualquer um que ataque os nossos funcionários ou nossos prédios está a atacar a nossa sociedade”, indicou, numa publicação na rede social ‘X’.

Outros incidentes ocorreram noutras partes de Bruxelas, incluindo o Hotel Hilton em frente à Estação Central, onde os manifestantes que atiraram projéteis e garrafas de vidro enfrentaram a polícia, que respondeu com canhões de água e gás lacrimogéneo.

A polícia estimou que cerca de 80 mil pessoas saíram às ruas para protestar, enquanto Thierry Bodson, líder do sindicato socialista FGTB-ABVV, disse que cerca de 140 mil participaram.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.