Um vídeo que mostra um Xiaomi SU7 a mover-se “sozinho” em frente a uma loja na China tornou-se viral e reacendeu o debate sobre os limites da conectividade automóvel. O caso, que aconteceu na cidade de Weihai, no final de setembro, está a gerar perguntas sobre a segurança das funções remotas e o papel dos smartphones na era dos veículos inteligentes, segundo o site especializado ‘Motor1’.
Um carro que se move sem condutor
As imagens captadas por câmaras de vigilância mostram o elétrico Xiaomi SU7 a deslizar lentamente para fora de um lugar de estacionamento enquanto o proprietário se encontrava dentro da loja. O vídeo, gravado a 30 de setembro de 2025, espalhou-se rapidamente pelas redes sociais chinesas, levantando teorias sobre possíveis falhas de software, hackers ou um erro de inteligência artificial.
A polémica cresceu ao ponto de colocar sob escrutínio todo o setor dos carros conectados, onde as fronteiras entre automação e controlo humano se tornam cada vez mais difusas.
Xiaomi esclarece: “O sistema funcionou normalmente”
De acordo com o ‘Motor1’, a resposta da fabricante foi imediata. A Xiaomi garantiu que o veículo operou “de acordo com as especificações”, sustentando-se numa investigação técnica que analisou os registos do automóvel e do telemóvel do proprietário.
A análise revelou que o sistema Remote Parking Assist (RPA) recebeu de facto um comando de movimento enviado a partir do iPhone 15 Pro Max do dono, através de ligação Bluetooth. A referência “iPhone 16.2” detetada nos registos tratava-se apenas de um identificador interno da Apple, esclareceu a marca.
A Xiaomi assegura que não houve qualquer falha de software nem tentativa de pirataria remota. O próprio utilizador, inicialmente cético, acabou por confirmar a versão da empresa, reconhecendo que o comando fora enviado de forma involuntária a partir do seu smartphone.
Um simples toque que pode mover duas toneladas
A função RPA permite deslocar o carro em espaços apertados usando uma aplicação dedicada, de modo semelhante ao modo Summon da Tesla. Contudo, este episódio expôs um risco inerente: um simples toque acidental, gesto incorreto ou ativação por voz não intencional pode colocar em movimento um veículo elétrico de duas toneladas fora do campo de visão do condutor.
O incidente não causou feridos nem danos materiais, mas serviu como alerta para os perigos associados à crescente automatização dos veículos.
A fragilidade da era dos carros conectados
O ‘Motor1’ recorda que o SU7 é um dos maiores sucessos comerciais da Xiaomi. Lançado em abril de 2024, o modelo já ultrapassou as 116 mil unidades vendidas. Apesar disso, a marca tem enfrentado outras controvérsias, incluindo recalls relacionados com atualizações defeituosas do software de assistência à condução.
Os carros da nova geração são verdadeiros centros tecnológicos, integrando até 508 TOPS de capacidade de processamento, múltiplas câmaras, sensores LiDAR e radares. O smartphone tornou-se o elemento central do ecossistema automóvel — servindo de chave, interface e até controlador remoto.
Chiński elektryk Xiaomi SU7 sam się uruchomił i odjechał, gdy jego właściciel był zajęty swoimi sprawami.
W serwisie wsparcia firmy stwierdzono, że to zdalny start przez iPhone’a, choć telefon nawet nie leżał w pobliżu — widać to na nagraniach z kamer monitoringu. pic.twitter.com/ctN1hn7HqL
— Takeshi Kovacs (@PrzemekShura) October 4, 2025














