Perigo à vista: especialistas alertam contra o uso de caixas multibanco na rua

O simples ato de levantar dinheiro numa máquina multibanco situada na via pública pode expor os utilizadores a fraudes sofisticadas, alertam especialistas em cibersegurança. Técnicas de skimming — que copiam os dados da banda magnética do cartão — têm vindo a proliferar e tornam as máquinas isoladas, fora de agências ou centros comerciais, alvos preferenciais dos criminosos.

Pedro Gonçalves
Novembro 2, 2025
15:00

O simples ato de levantar dinheiro numa máquina multibanco situada na via pública pode expor os utilizadores a fraudes sofisticadas, alertam especialistas em cibersegurança. Técnicas de skimming — que copiam os dados da banda magnética do cartão — têm vindo a proliferar e tornam as máquinas isoladas, fora de agências ou centros comerciais, alvos preferenciais dos criminosos.

A técnica de skimming recorre à instalação de aparelhos físicos que imitam componentes legítimos do multibanco (leitor de cartões, painéis, ou suportes) e que escondem dispositivos eletrónicos capazes de ler e armazenar os dados da banda magnética. Em paralelo, microcâmaras ou teclados falsos podem gravar o PIN introduzido pelo utilizador. Com esses dados, os criminosos clonam o cartão e fazem operações até serem detectados. Casos recentes, incluindo um esquema desmantelado em Valência que envolveu quase 200.000 euros, ilustram a dimensão do problema.

Os multibanco que estão soltos na rua, sem vigilância permanente ou sem ligação física a uma agência, têm menos controlo e são mais fáceis de manipular sem detetar. “Máquinas em locais isolados ou pouco vigiados apresentam maior risco de terem dispositivos de skimming instalados”, explicam peritos. Por serem menos vistosas, alterações subtis na face do terminal passam por despercebidas tanto pelos utilizadores como pelas equipas de manutenção.

Especialistas recomendam atitudes simples e eficazes: cobrir o teclado com a mão ao digitar o PIN (para impedir microcâmaras de captar a combinação); inspecionar visualmente a face do multibanco antes de usar (procurar peças soltas, protuberâncias ou fitas estranhas); e preferir levantar dinheiro em caixas dentro de agências bancárias ou em centros comerciais, onde há maior vigilância. Além disso, consultar regularmente os movimentos da conta permite detetar transacções não autorizadas atempadamente.

As forças de segurança e os bancos têm desmantelado redes organizadas que recorrem a skimming, mas os investigadores sublinham que se trata de um risco dinâmico: os criminosos adaptam as técnicas sempre que surgem medidas preventivas. A cooperação entre polícia, operadores de cartão e empresas que gerem os terminais é essencial para reduzir vulnerabilidades e acelerar a deteção de manipulações.

Levantar dinheiro num multibanco na rua continua a ser prático, mas exige precaução. Evitar caixas isolados, cobrir o teclado, verificar movimentos bancários e privilegiar terminais vigiados são medidas simples que reduzem significativamente a probabilidade de se tornar vítima de skimming. A vigilância do utilizador é muitas vezes a primeira linha de defesa contra este tipo de fraude.

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