“Não quero responder”: veja o momento em que Trump recusa confirmar se ordenou à CIA que eliminasse Maduro

O Governo da Venezuela disse que vê com “extremo alarme” a eventual realização no país de operações da CIA, a agência civil de inteligência estrangeira dos Estados Unidos

Francisco Laranjeira
Outubro 16, 2025
12:24

O presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou operações da CIA contra a Venezuela esta quarta-feira, salientando estar a considerar ataques terrestres contra cartéis de drogas no país caribenho. O anúncio levou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a pedir a rejeição dos “golpes da CIA” e da “guerra no Caribe”.

No entanto, em destaque está a resposta de Trump à questão sobre se teria dado à CIA autoridade para “eliminar” Maduro: “Essa é uma pergunta ridícula para me fazer. Não é propriamente uma pergunta ridícula, mas não seria ridículo da minha parte respondê-la?”, limitou-se a dizer o presidente americano.

No entanto, Trump revelou que estava a considerar ataques terrestre contra cartéis venezuelanos. “Certamente estamos a pensar em terra agora, porque já temos o mar sob controlo”, indicou.

Após o último ataque marítimo, a polícia de Trindad e Tobago anunciou que estava a investigar as possíveis mortes de dois dos seus cidadãos após receber relatos de que os compatriotas estavam no navio bombardeado.

“Extremo alarme”

O Governo da Venezuela disse que vê com “extremo alarme” a eventual realização no país de operações da CIA, a agência civil de inteligência estrangeira dos Estados Unidos.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, as autoridades de Caracas acusaram Washington de dar início a manobras que procuram “legitimar uma operação de mudança de regime” na Venezuela.

“Vemos com extremo alarme o uso da CIA, bem como as anunciadas deslocações militares para as Caraíbas, que constituem uma política de agressão, ameaças e assédio contra a Venezuela”, afirmou o Governo do Presidente Nicolás Maduro.

Por isso, a Venezuela anunciou que vai apresentar hoje uma queixa ao Conselho de Segurança e ao secretário-Geral da ONU, o português António Guterres, exigindo “prestação de contas” do Governo dos Estados Unidos e a “adoção de medidas urgentes para impedir uma escalada militar nas Caraíbas”.

“A comunidade internacional deve compreender que a impunidade destes atos terá consequências políticas perigosas que devem ser imediatamente travadas”, alertou Caracas.

Também esta quarta-feira, Maduro declarou que a América Latina rejeita a CIA, denunciando o alegado envolvimento da agência em golpes de Estado na região.

“Não aos golpes de Estado da CIA (…). Até quando haverá golpes de Estado da CIA? A América Latina não os quer, não precisa deles e repudia-os”, afirmou Maduro, num discurso transmitido pela emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV).

“Não à guerra nas Caraíbas (…). Não à mudança de regime, que tanto nos recorda as guerras eternas falhadas no Afeganistão, no Irão, no Iraque”, acrescentou o chefe de Estado.

Golpes “que nos fazem lembrar os 30 mil desaparecidos causados pela CIA durante os golpes de Estado na Argentina. O golpe de Estado de Pinochet e os cinco mil jovens assassinados e desaparecidos”, acrescentou Maduro.

Washington acusa Maduro de liderar uma rede de narcotráfico e recentemente aumentou para 50 milhões de dólares a recompensa pela sua captura. Maduro negou qualquer ligação com o tráfico de droga.

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