O presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou operações da CIA contra a Venezuela esta quarta-feira, salientando estar a considerar ataques terrestres contra cartéis de drogas no país caribenho. O anúncio levou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a pedir a rejeição dos “golpes da CIA” e da “guerra no Caribe”.
No entanto, em destaque está a resposta de Trump à questão sobre se teria dado à CIA autoridade para “eliminar” Maduro: “Essa é uma pergunta ridícula para me fazer. Não é propriamente uma pergunta ridícula, mas não seria ridículo da minha parte respondê-la?”, limitou-se a dizer o presidente americano.
No entanto, Trump revelou que estava a considerar ataques terrestre contra cartéis venezuelanos. “Certamente estamos a pensar em terra agora, porque já temos o mar sob controlo”, indicou.
Após o último ataque marítimo, a polícia de Trindad e Tobago anunciou que estava a investigar as possíveis mortes de dois dos seus cidadãos após receber relatos de que os compatriotas estavam no navio bombardeado.
O presidente Trump se pronunciou sobre uma alegada autorização dada à CIA para atuar dentro da Venezuela em ações visando derrubar Nicolás Maduro. pic.twitter.com/Eq6MD4hSUx
— Hoje no Mundo Militar (@hoje_no) October 15, 2025
“Extremo alarme”
O Governo da Venezuela disse que vê com “extremo alarme” a eventual realização no país de operações da CIA, a agência civil de inteligência estrangeira dos Estados Unidos.
Num comunicado divulgado esta quarta-feira, as autoridades de Caracas acusaram Washington de dar início a manobras que procuram “legitimar uma operação de mudança de regime” na Venezuela.
“Vemos com extremo alarme o uso da CIA, bem como as anunciadas deslocações militares para as Caraíbas, que constituem uma política de agressão, ameaças e assédio contra a Venezuela”, afirmou o Governo do Presidente Nicolás Maduro.
Por isso, a Venezuela anunciou que vai apresentar hoje uma queixa ao Conselho de Segurança e ao secretário-Geral da ONU, o português António Guterres, exigindo “prestação de contas” do Governo dos Estados Unidos e a “adoção de medidas urgentes para impedir uma escalada militar nas Caraíbas”.
“A comunidade internacional deve compreender que a impunidade destes atos terá consequências políticas perigosas que devem ser imediatamente travadas”, alertou Caracas.
Também esta quarta-feira, Maduro declarou que a América Latina rejeita a CIA, denunciando o alegado envolvimento da agência em golpes de Estado na região.
“Não aos golpes de Estado da CIA (…). Até quando haverá golpes de Estado da CIA? A América Latina não os quer, não precisa deles e repudia-os”, afirmou Maduro, num discurso transmitido pela emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV).
“Não à guerra nas Caraíbas (…). Não à mudança de regime, que tanto nos recorda as guerras eternas falhadas no Afeganistão, no Irão, no Iraque”, acrescentou o chefe de Estado.
Golpes “que nos fazem lembrar os 30 mil desaparecidos causados pela CIA durante os golpes de Estado na Argentina. O golpe de Estado de Pinochet e os cinco mil jovens assassinados e desaparecidos”, acrescentou Maduro.
Washington acusa Maduro de liderar uma rede de narcotráfico e recentemente aumentou para 50 milhões de dólares a recompensa pela sua captura. Maduro negou qualquer ligação com o tráfico de droga.













