À medida que se celebra mais um domingo de Páscoa, marcado por missas, encontros familiares e uma profusão de ovos de chocolate, surge a curiosidade sobre a origem de alguns dos seus símbolos mais icónicos: o coelho da Páscoa e os ovos coloridos. Embora fortemente associados ao imaginário cristão contemporâneo, ambos têm raízes que remontam a tradições muito anteriores à difusão do Cristianismo.
A origem simbólica destes elementos está profundamente enraizada nas celebrações pagãs europeias da antiguidade, dedicadas à chegada da primavera. Numa época em que o renascimento da natureza era celebrado com fervor após o rigor do inverno, o coelho — conhecido pela sua elevada capacidade reprodutiva — tornou-se um emblema natural da fertilidade e do ciclo renovado da vida.
Este simbolismo ganhou expressão particular na Alemanha do século XVIII, com a tradição do “Osterhase”, ou coelho da Páscoa. Segundo os costumes trazidos por imigrantes alemães, especialmente para os Estados Unidos, o coelho seria responsável por entregar ovos coloridos às crianças bem-comportadas durante a Páscoa. A prática rapidamente se espalhou por outras regiões e consolidou-se como um dos ícones mais reconhecidos da festividade.
O ovo como símbolo de renascimento
A associação entre os ovos e a Páscoa também tem origens que precedem o Cristianismo. Civilizações antigas atribuíam ao ovo um forte simbolismo ligado à fertilidade, à criação e ao renascimento — conceitos intimamente ligados ao início da primavera e ao despertar da terra.
Com o avanço do Cristianismo pela Europa, muitos desses rituais pagãos foram incorporados às novas festividades religiosas. Assim, o ovo passou a representar, no contexto cristão, a ressurreição de Jesus Cristo — a vida que triunfa sobre a morte. Essa apropriação simbólica permitiu uma continuidade de práticas que já faziam parte do quotidiano das populações.
Da tradição aos ovos de chocolate
Com o passar dos séculos, os ovos naturais deram lugar a ovos decorados, muitas vezes pintados à mão durante a Semana Santa. No entanto, foi a partir do século XIX que surgiu a tradição dos ovos de chocolate, inicialmente como produtos artesanais e, mais tarde, popularizados pela indústria alimentar.
Hoje em dia, os ovos de chocolate tornaram-se quase inseparáveis da celebração pascal em muitas partes do mundo, especialmente entre as crianças, mas também entre os adultos, que continuam a associar a partilha destes doces à renovação, à união e à esperança — valores centrais da época pascal.
A Páscoa, assim, permanece uma celebração de múltiplos significados, onde tradições pagãs e religiosas se entrelaçam e se renovam ano após ano. Entre símbolos ancestrais e práticas modernas, o coelho e os ovos de Páscoa continuam a encantar e a reunir famílias em torno da memória, da fé e da celebração da vida.














