O Partido Liberal Democrático (PLD) da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, conquistou 315 assentos nas eleições legislativas antecipadas de domingo, obtendo sozinho uma maioria de dois terços na Câmara Baixa do Parlamento, segundo os resultados oficiais publicados hoje.
Este resultado é o melhor da história do PLD e permite à líder ultraconservadora consolidar o seu mandato para implementar o programa económico expansivo no arquipélago de 123 milhões de habitantes durante os próximos quatro anos.
Tornada em outubro a primeira mulher a liderar o Governo japonês e aproveitando desde então um estado de graça, Takaichi dissolveu no final de janeiro a Câmara Baixa do Parlamento, onde a sua coligação governamental tinha a maioria.
Aposta amplamente ganha: a coligação formada pelo PLD e o Ishin (Partido para a Inovação, centro-direita) obteve um total de 351 cadeiras das 465 que compõem a Câmara Baixa, de acordo com dados do Ministério do Interior.
Na legislatura anterior, o PLD tinha apenas 198 cadeiras, enquanto o Ishin detinha 34.
As eleições também viram o partido anti-imigração Sanseito aumentar o número de assentos, passando de dois para quinze, segundo os resultados.
A nova Aliança Centrista para a Reforma, formada pelo principal partido da oposição, o Partido Democrático Constitucional (centro-esquerda), e pelo antigo parceiro do PLD, o pequeno partido budista Komeito, sofreu uma derrota esmagadora, com o número de assentos a cair de 167 para 49.
Takaichi foi calorosamente felicitada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, com quem deverá encontrar-se em meados de março, em Washington.
A vitória coloca-a na esteira do seu mentor, Shinzo Abe (primeiro-ministro em 2006-2007 e depois em 2012-2020), que marcou profundamente o país com posições nacionalistas e um programa económico, que incluía, nomeadamente, medidas de relançamento orçamental.
Do ponto vista externo, a região Ásia-Pacífico estará atenta ao desenvolvimento das tensões sino-japonesas, que assumiram uma nova dimensão desde que Sanae Takaichi sugeriu, em novembro, que Tóquio poderia intervir militarmente em caso de ataque da China a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.
Os mercados financeiros também podem ficar preocupados com o desequilíbrio das finanças públicas nipónicas e, sobretudo, com a escalada da já enorme dívida pública, se Takaichi continuar a reforçar as medidas de estímulo orçamental para impulsionar a quarta maior economia mundial.
Fortalecida pela perspetiva de maiores gastos orçamentais e benefícios fiscais, a Bolsa de Tóquio subiu mais de 5% na sessão de segunda-feira e voltou hoje a abrir em ganhos e novos níveis recordes.
APL // CAD
Lusa / Fim













