Ouro já vale mais do que o euro nas reservas mundiais dos bancos centrais, revela o BCE

O ouro ultrapassou o euro como o segundo ativo de reserva mais importante do mundo, ficando apenas atrás do dólar americano, revelou o Banco Central Europeu (BCE) num relatório publicado esta quarta-feira.

André Manuel Mendes
Junho 11, 2025
14:02

O ouro ultrapassou o euro como o segundo ativo de reserva mais importante do mundo, ficando apenas atrás do dólar americano, revelou o Banco Central Europeu (BCE) num relatório publicado esta quarta-feira.

De acordo com o BCE, o ouro representou 20% das reservas oficiais globais em 2024, superando os 16% do euro e ficando atrás dos 46% do dólar. “A participação do ouro no total das reservas estrangeiras oficiais – incluindo divisas e reservas de ouro – aumentou para 20% no final de 2024, superando a do euro, devido aos preços e compras de ouro historicamente altos”, escreve o regulador na publicação “O papel internacional do euro”.

Esta tendência resulta de uma acumulação sem precedentes de ouro pelos bancos centrais, que, pelo terceiro ano consecutivo, compraram mais de 1.000 toneladas — o dobro do volume anual médio registado na década de 2010 e equivalente a um quinto da produção global anual.

“O stock de ouro dos bancos centrais está agora próximo dos níveis históricos atingidos durante o sistema de Bretton Woods”, destacou o BCE. As reservas globais de ouro, que atingiram o pico de 38.000 toneladas na década de 1960, aumentaram para cerca de 36.000 toneladas este ano.

Índia, China, Turquia e Polónia foram os maiores compradores em 2024, segundo dados do World Gold Council. A valorização do ouro — que registou uma subida de 30% no último ano e atingiu recentemente o valor recorde de 3.500 dólares por onça — também contribuiu para este reforço da sua posição nas reservas internacionais.

Apesar de não render juros e de implicar custos de armazenamento, o ouro é considerado um ativo seguro, líquido e imune a riscos de contraparte ou a sanções. Nos últimos anos, tem sido cada vez mais procurado por países que procuram reduzir a exposição ao dólar americano, especialmente após a invasão russa da Ucrânia e a subsequente imposição de sanções financeiras por parte dos EUA.

“O aumento da procura de ouro intensificou-se desde 2022, sendo visto como uma proteção contra sanções e instabilidade geopolítica”, lê-se no relatório. O BCE aponta que, em cinco dos dez maiores aumentos anuais na participação do ouro nas reservas desde 1999, os países envolvidos enfrentaram sanções nesse ano ou no anterior.

Uma sondagem realizada junto de 57 bancos centrais mostrou que a vontade de reduzir a dependência do dólar, bem como as expectativas de mudanças no sistema monetário global, estão entre os principais fatores que motivam estas decisões, de acordo com o Financial Times.

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