A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil alertou esta segunda-feira para o risco de agravamento das inundações em várias regiões do país nas próximas horas, num contexto de precipitação intensa que deverá atingir bacias hidrográficas já no limite da capacidade. No briefing desta tarde o comandante nacional, Mário Silvestre, avisou que os caudais elevados e a saturação das albufeiras poderão provocar um aumento significativo da gravidade das cheias, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
Durante a conferência de imprensa de balanço da situação meteorológica, o responsável explicou que a nova frente de chuva surge numa fase particularmente sensível, sublinhando que “a situação de precipitação mais intensa nas próximas horas terá impacto significativo nas albufeiras que já estão saturadas de água e com elevados caudais”, acrescentando que “os nossos rios estão no limite da capacidade, e portanto é natural que haja novamente aumento da gravidade das inundações por todo o país, nomeadamente na zona Norte e Centro”.
Embora a precipitação prevista, por si só, não seja considerada extrema, o comandante nacional advertiu que o efeito acumulado nos cursos de água representa o verdadeiro perigo. Segundo afirmou, “há novo episódio de chuva, que em si não terá grande impacto, mas o que vai provocar nos diversos cursos de água será um problema significativo e poderá constituir-se um risco para toda a população portuguesa”, apelando por isso a “extremo cuidado e redobrados cuidados em várias matérias da vida quotidiana”.
Rios sob vigilância apertada
A Proteção Civil identificou vários rios com risco elevado de transbordo. O comandante indicou que existe “risco significativo de inundações” nas bacias do Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, enquanto outros cursos de água permanecem sob risco de cheia, incluindo Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana.
A preocupação é particularmente acentuada a norte. Mário Silvestre destacou que quer “chamar particularmente a atenção para todos os cursos de água que se situam na zona norte, no Minho”, explicando que estas bacias poderão sofrer um impacto mais severo com a precipitação prevista para amanhã, cenário que pode traduzir-se em novas inundações localizadas e rápidas subidas de caudal.
Planos de emergência ativados em todo o país
Perante a evolução do quadro meteorológico, as autoridades reforçaram os dispositivos de resposta. Estão atualmente ativos 11 planos distritais de emergência e proteção civil, a par de 125 planos municipais, tendo sido ainda decretadas 19 declarações de situação de alerta por autarquias.
Na bacia do Tejo, o plano especial para as cheias mantém-se no nível vermelho, o mais elevado da escala, refletindo a gravidade do risco hidrológico e a necessidade de prontidão máxima das equipas no terreno.
Desde o início do agravamento do mau tempo, a Proteção Civil contabilizou mais de 12.700 ocorrências em todo o território nacional. No terreno estiveram envolvidos mais de 43 mil operacionais, apoiados por mais de 17 mil meios terrestres e aquáticos, numa mobilização considerada excecional para responder a inundações, quedas de árvores, deslizamentos de terras e outras situações de perigo.
Quedas de árvores e deslizamentos agravam riscos
Entre as tipologias de ocorrência mais frequentes, o comandante nacional destacou o forte aumento de quedas de árvores, situação que representa perigo acrescido para a circulação rodoviária e para pessoas que se encontrem em zonas arborizadas.
A população foi aconselhada a evitar estacionar veículos junto a árvores ou deslocar-se desnecessariamente em áreas florestais ou instáveis, uma vez que “o risco de queda de árvore é significativo”, alertando também para a possibilidade de deslizamentos de terras em solos encharcados.
Com os solos saturados, rios cheios e novas chuvas a caminho, a Proteção Civil insiste na necessidade de vigilância permanente e comportamento preventivo por parte dos cidadãos, numa fase em que pequenas variações meteorológicas podem traduzir-se rapidamente em situações de perigo.




