Operação Marquês: José Sócrates novamente sem advogado. José Preto renunciou

José Sócrates voltou esta terça-feira a ficar sem advogado no âmbito do julgamento da Operação Marquês, depois de José Preto ter renunciado formalmente à sua defesa. O antigo primeiro-ministro solicitou ao tribunal um prazo adicional de 20 dias para escolher um novo defensor, recusando ser representado pela advogada oficiosa entretanto nomeada.

Pedro Gonçalves
Janeiro 13, 2026
13:19

José Sócrates voltou esta terça-feira a ficar sem advogado no âmbito do julgamento da Operação Marquês, depois de José Preto ter renunciado formalmente à sua defesa. O antigo primeiro-ministro solicitou ao tribunal um prazo adicional de 20 dias para escolher um novo defensor, recusando ser representado pela advogada oficiosa entretanto nomeada.

A renúncia de José Preto foi comunicada através de uma carta enviada ao tribunal, citada pela CNN Portugal, na qual o advogado explica que a decisão está relacionada com a posição assumida pela juíza presidente do coletivo, que não aceitou que pudesse recuperar plenamente de um internamento hospitalar prolongado antes de retomar a participação nas sessões de julgamento.

José Preto, que tinha sido escolhido por José Sócrates para substituir Pedro Delille, esteve internado durante 12 dias no Hospital de Santa Maria, entre 27 de Dezembro de 2025 e 8 de Janeiro de 2026, devido a uma pneumonia. Durante esse período, não indicou qualquer substituto, o que levou o tribunal a nomear uma defensora oficiosa.

Segundo é explicado na carta de renúncia, o advogado considera que não lhe foi concedido o tempo necessário para um restabelecimento adequado, entendendo que não estavam reunidas as condições para assegurar a defesa do arguido nas audiências previstas.

Com a saída de José Preto, José Sócrates voltou a ficar sem advogado constituído e pediu ao tribunal mais 20 dias para escolher um novo defensor. O antigo primeiro-ministro não aceita a representação da advogada oficiosa Ana Velho, nomeada pelo tribunal, posição que prolonga o impasse em torno do recomeço do julgamento.

Ana Velho tinha sido designada no dia 6 de Janeiro, depois de José Preto não ter comparecido por razões de saúde. Nessa sessão, o julgamento foi adiado para permitir que a advogada tivesse tempo para consultar o processo, embora a própria tenha afirmado não dispor de condições para o fazer no prazo definido.

O julgamento da Operação Marquês encontra-se parado desde 11 de Novembro de 2025, data em que Pedro Delille abandonou a defesa de José Sócrates, após um conflito com o colectivo de juízes presidido por Susana Seca. Na sequência dessa saída, o tribunal nomeou um primeiro advogado oficioso, José Manuel Ramos, que foi recusado por Sócrates.

Seguiu-se a nomeação da advogada Inês Louro, que pediu escusa invocando “objecção de consciência”, por já ter pertencido ao Partido Socialista e, posteriormente, ao Chega. Ana Velho foi então indicada como nova defensora oficiosa, mas também alegou não ter condições para assumir a defesa, tendo ainda assim sido obrigada pelo tribunal a aceitar o processo.

O recomeço do julgamento está marcado para esta terça-feira, 13 de Janeiro, mas permanece incerto face à nova renúncia. Antes de formalizar a saída, José Preto já tinha admitido dúvidas quanto à sua presença, escrevendo ao tribunal, ainda durante o internamento, que “a saída do hospital imediatamente seguida do desempenho de funções em audiência pode não ser praticável”.

Questionado sobre a possibilidade de comparecer na sessão marcada, o advogado limitou-se a afirmar que “o futuro a Deus pertence”.

A próxima sessão do julgamento está prevista para a audição dos depoimentos prestados, em fase de investigação, por António Pinto de Sousa, primo de José Sócrates, por José Castella, antigo controller financeiro do Grupo Espírito Santo, e por José Guilherme, empresário que terá oferecido 14 milhões de euros a Ricardo Salgado. Os três intervenientes morreram durante o decorrer do processo, pelo que os seus testemunhos serão reproduzidos em tribunal.

Com mais uma mudança na defesa, o principal arguido da Operação Marquês entra novamente num impasse jurídico que ameaça atrasar ainda mais um dos julgamentos mais mediáticos da justiça portuguesa.

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