Operação Irmandade: Ex-mulher de Mário Machado suspeita de financiar grupo neonazi quebra o silêncio

Raquel Machado Faísca, ex-mulher do neonazi Mário Machado, é apontada pelas autoridades como suspeita de ter aderido, participado e financiado o Grupo 1143, no âmbito da Operação Irmandade, investigação conduzida pela Polícia Judiciária.

Revista de Imprensa
Janeiro 30, 2026
11:09

Raquel Machado Faísca, ex-mulher do neonazi Mário Machado, é apontada pelas autoridades como suspeita de ter aderido, participado e financiado o Grupo 1143, no âmbito da Operação Irmandade, investigação conduzida pela Polícia Judiciária. Aos 42 anos, tornou-se a primeira dos 52 arguidos a quebrar o silêncio, garantindo que “nunca esteve ligada aos movimentos de extrema-direita” liderados pelo antigo companheiro e afirmando que a ligação entre ambos existe apenas por este “ser o pai da sua filha” mais nova.

Em declarações ao Correio da Manhã, Raquel Machado Faísca admite conhecer “alguns elementos” do Grupo 1143, mas rejeita qualquer envolvimento ideológico. No despacho de indiciação consultado pelo jornal, é referido que a arguida terá doado 510 euros ao grupo em abril de 2024, através de três transferências bancárias para a conta de Hortense Machado, mãe de Mário Machado, com o objetivo de apoiar as atividades do movimento de extrema-direita.

Separada há três anos de Mário Machado, que cumpre uma pena de quatro anos de prisão no Estabelecimento Prisional de Alcoentre por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, Raquel Machado Faísca reconhece que o ex-companheiro “defende essa ideologia desde a adolescência”. Ainda assim, sustenta que este “encarna um personagem quando fala em público” e garante que, em contexto privado, “nunca mostrou comportamentos extremistas ou de desrespeito com ninguém”, considerando mesmo que a Justiça portuguesa tem sido “injusta” com ele, apesar do historial de condenações por agressões, coação, roubo, sequestro e posse de arma proibida, que já o levaram a cumprir cerca de dez anos de prisão.

A Operação Irmandade resultou na detenção de 37 pessoas, das quais cinco ficaram em prisão preventiva: Gil “Pantera” Costa, que assumiu a liderança do Grupo 1143 após a detenção de Mário Machado, Mário Moreira, Bruno Rodrigues, João Carvalho e Jorge “Obélix” Bento. A investigação sustenta que o grupo utilizava pelo menos três contas bancárias para fazer circular dinheiro, incluindo a de Hortense Machado, e que a sua cúpula — composta por Mário Machado, Gil “Pantera”, Paulo Magalhães e Bruno Araújo — era conhecida internamente como “Os Quatro Mosqueteiros”. Em 2025, a marca “Grupo 1143” terá sido registada para permitir a venda de roupa e merchandising.

Entre os arguidos encontra-se ainda um agente da PSP, Marco L., de 49 anos, colocado na esquadra da Bela Vista, em Setúbal, apontado pela PJ como um membro de “relevo” do Grupo 1143. Embora aguarde o processo em liberdade, poderá vir a ser suspenso preventivamente, estando a PSP à espera de notificação formal para avançar com as diligências consideradas legalmente adequadas. Militante do Chega, o agente foi delegado à VI convenção nacional do partido, realizada em Viana do Castelo, em 2024.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.