O Chega vai votar contra a proposta de Orçamento do Estado para 2026 na votação final global, marcada para quinta-feira, anunciou o líder parlamentar do partido, Pedro Pinto, durante o debate em plenário das normas avocadas, no terceiro dia de discussão do documento na especialidade.
A posição foi assumida esta segunda-feira, num momento em que o responsável parlamentar do Chega procurou sublinhar aquilo que considera ser uma diferença política fundamental face ao Partido Socialista no processo orçamental, apontando diretamente à forma como cada força política se posicionará na votação decisiva.
Intervindo no plenário, Pedro Pinto afirmou que a divergência essencial entre o Chega e o PS ficará evidente na votação final global do Orçamento. “Vou-lhe recordar que, na próxima quinta-feira de manhã, quando os senhores se levantarem para se absterem neste orçamento, nós vamos votar contra. Está aqui a grande diferença”, declarou.
O líder parlamentar acusou os socialistas de incoerência política, alegando que o PS critica o documento orçamental, mas acaba por não o rejeitar formalmente. “Nós somos coerentes. Os senhores não são coerentes. Criticam o orçamento, dizem que é a maior carga fiscal de sempre, mas depois, na altura de votar, vão-se encostar ao PSD. Demagogia e hipocrisia socialista”, afirmou.
As declarações de Pedro Pinto surgiram no contexto da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2026, que entrou no seu terceiro dia com a apreciação de normas avocadas pelos partidos. Ao longo da sessão, foram também votadas diversas propostas apresentadas por várias bancadas parlamentares.
Entre as iniciativas aprovadas contam-se propostas do PCP relacionadas com investimentos em infraestruturas, nomeadamente a modernização da linha ferroviária do Oeste, bem como a criação de um plano a dez anos para a aquisição de meios aéreos destinados à Proteção Civil.
Propostas do PS e do Livre aprovadas
A sessão parlamentar ficou ainda marcada pela aprovação de uma proposta do PS que permite aos municípios conceder garantias reais sobre imóveis no âmbito de programas de apoio ao arrendamento, alargando os instrumentos disponíveis para intervenção das autarquias no setor da habitação.
Foi igualmente aprovada uma proposta apresentada pelo Livre que determina que o Governo avance com uma estratégia nacional de combate à pobreza para o período entre 2027 e 2030, reforçando o enquadramento estratégico das políticas públicas nesta área.
A votação final global do Orçamento do Estado para 2026 está agendada para quinta-feira, momento em que ficará definitivamente definida a posição de cada força política em relação ao documento. O Chega já confirmou o voto contra, assumindo-se como oposição frontal ao Orçamento, num cenário em que outras bancadas optam por posições diferenciadas entre a rejeição, a abstenção e o voto favorável.














