Um estudo recente de uma Bíblia publicada em 1818 reacendeu debates sobre a linha temporal da história humana e a aproximação de um possível período de julgamento divino, renovação ou reinício. O vídeo viral partilhado no Instagram por Kaylah Hodgins destacou tabelas cronológicas presentes na Bíblia, que inclui o Antigo e o Novo Testamento, bem como os livros apócrifos, colecção de escritos antigos cuja inclusão na Escritura tem sido amplamente debatida ao longo dos séculos.
Segundo esta Bíblia, o mundo começou em 4004 a.C., contabilizando 3.974 anos desde Adão até Cristo, acrescidos de 1.815 anos desde o nascimento de Cristo até à publicação da Bíblia. O total combinado de 5.789 anos marca a linha temporal desde a Criação até ao início do século XIX. Hodgins, no vídeo, estendeu ainda a contagem até aos dias de hoje, chegando a aproximadamente 6.000 anos, marco que alguns interpretam como o fim da atual era da humanidade.
Em certas tradições judaicas e cristãs, a história segue uma estrutura de sete partes, inspirada nos sete dias da Criação. Dentro deste quadro, a humanidade vive seis “dias” — cerca de 6.000 anos — de trabalho, conflito e provações, seguidos de um sétimo “dia” de descanso, frequentemente associado a um reinado messiânico ou milenar.
Alcançar o fim do sexto “dia” é considerado um ponto de viragem, sinalizando o encerramento da era atual e o início de uma fase guiada divinamente. Alguns defendem que tal transição não prevê a destruição súbita do planeta, mas sim uma transformação profunda, moral e espiritual, ou mesmo mudanças globais significativas.
A cronologia de Ussher e a Bíblia de 1818
A data de Criação apresentada nas Bíblias antigas baseia-se na cronologia elaborada pelo arcebispo irlandês do século XVII James Ussher, especialista em estudos bíblicos. Ussher calculou o início do mundo em 4004 a.C., determinando até mesmo o dia exato: 23 de outubro.
O método de Ussher consistiu em somar a duração da vida dos patriarcas bíblicos, eventos como o Dilúvio e outros marcos históricos relatados na Escritura. Séculos depois, Bíblias publicadas nos séculos XVIII e XIX, incluindo a edição de 1818, incorporaram tabelas cronológicas derivadas da sua obra, oferecendo aos leitores um relatório ano a ano da história bíblica, desde a Criação até à publicação do livro.
Interpretação simbólica versus literal
Teólogos modernos consideram geralmente a cronologia de Ussher como simbólica e não literal, enquanto a ciência moderna situa a idade da Terra em cerca de 4,5 mil milhões de anos. Muitas igrejas rejeitam previsões de fim do mundo baseadas em cálculos cronológicos, alertando que tais datas falharam repetidamente ao longo da história.
Apesar disso, a viralidade do vídeo despertou interesse entre crentes, historiadores e utilizadores das redes sociais, gerando debates sobre numerologia, fé e história. Comentários surgem questionando variações entre edições antigas da Bíblia e discutindo a relevância do marco de 6.000 anos. Alguns veem-no como um alerta da brevidade da vida humana, enquanto outros encaram como uma contagem simbólica que promove reflexão moral e espiritual.
O significado do sétimo dia
A Bíblia em si não afirma explicitamente que atingir os 6.000 anos marca o fim da humanidade. No entanto, interpretações apocalípticas da cronologia de Ussher persistem há séculos. O sétimo “dia”, inspirado na narrativa da Criação, é frequentemente imaginado como mil anos de renovação, justiça ou domínio divino.
Para muitos, o valor deste marco reside menos numa profecia literal e mais no peso cultural e espiritual de conceber o mundo à beira de uma nova era, promovendo reflexão sobre a responsabilidade humana e a necessidade de transformação ética e moral.














