“O setor privado deve assumir um papel complementar, catalisador e exigente na transformação do sistema educativo”

Pelo terceiro ano a Sonae atribui o prémio Educação e com um recorde de 466 candidaturas. À Executive Digest, Daniel Fonseca, diretor de marca e Comunicação da Sonae explicou como o galardão tem evoluído e contribuído

Filipe Gil
Novembro 14, 2025
16:33

Esta é a terceira edição do Prémio Sonae Educação. Qual tem sido a evolução da distinção em relação às edições anteriores?
O prémio tem tido uma evolução positiva todos os anos. A qualidade das candidaturas tem melhorado a cada edição, com projetos cada vez mais orientados para os objetivos do prémio: inovação e inclusão na educação. Temos hoje uma maior diversidade geográfica, mas também temática. É um sinal de que estamos a chegar a mais pessoas e a atrair propostas que vão da educação na infância à literacia digital e financeira, passando pela inclusão de alunos com necessidades educativas específicas. Além disso, ao fim de três edições somos reconhecidos como uma referência na promoção da educação por escolas publicas e privadas, IPSS, empreendedores e empresas. Este ano, batemos um recorde com 466 candidaturas recebidas, um sinal claro da relevância e do impacto crescente da iniciativa.

Dessa quantidade de candidaturas, há algumas que pode destacar?
Entre todas estas propostas destacámos  os quatro vencedores. O projeto ‘Ler sem Barreiras’, promovido pelo Agrupamento de Escolas Gil Vicente, em Lisboa, que através da utilização de eReaders adaptados garante o acesso inclusivo à literatura, ao currículo e ao conhecimento de alunos com necessidades educativas especificas. A Associação Música Skoola Artes e Cultura Urbana, em Lisboa, com o trabalho de inclusão de crianças e jovens através da arte. O projeto ‘Educação que Transforma’, do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil – CADIn, em Cascais, que assegura diagnóstico precoce, intervenção terapêutica e capacitação de professores e famílias de crianças com perturbações do neurodesenvolvimento. E o TUMO – Centro de Tecnologias Criativas, da Associação Topsail (TUMO), em  Coimbra, que combina tecnologia e criatividade através de autoaprendizagem e workshops para reforçar as competências digitais, criativas e sociais, e combatendo desigualdades estruturais.

Quais os critérios que pesam na seleção dos projetos vencedores da edição deste ano?
De entre as 466 candidaturas foram selecionados 10 finalistas, que fizeram a apresentação dos seus projetos in loco ao júri. A diversidade dos projetos é enorme e a qualidade das propostas é cada vez melhor. Para escolher os vencedores, são avaliados fatores de inovação e de inclusão, além da capacidade de implementação e de impacto, assim como escalabilidade, sustentabilidade e valor acrescentado do Prémio.

Fala-se em inovação e inclusão na educação. O que é que isso significa, na prática, para a Sonae?
A educação é, para a Sonae, o principal elevador social e um pilar que acompanha a nossa história desde a liderança do Eng. Belmiro de Azevedo, que acreditava que o seu próprio percurso só foi possível graças às oportunidades proporcionadas pelos estudos. Esse legado permanece connosco: investir nas pessoas é a forma mais poderosa de transformar a sociedade e preparar o futuro. O Prémio Sonae Educação nasce precisamente desta visão. Ao promover a inclusão, queremos apoiar projetos que garantam acesso a uma educação de qualidade também a quem, muitas vezes, não tem as mesmas oportunidades, seja por razões socioeconómicas, por pertencer a grupos com maior risco de exclusão social ou simplesmente por não se enquadrar naquilo que é considerado “a norma”.

Dos projetos vencedores das edições anteriores – Ciberescola, EKUI, MyPolis, NoCode Institute, Teach For Portugal – que resultados estão a ter?
Da edição de 2024, a Ciberescola reforçou o ensino de Português Língua Não Materna através de aulas digitais interativas, alcançando mais alunos e professores em todo o país. Hoje, a Ciberescola já colabora com 54 agrupamentos de escolas. A Teach For Portugal fortaleceu o programa de mentoria em escolas do Alentejo, através de oficinas de literacia financeira que capacitam os alunos para o futuro. Até ao momento, abrangeu 223 alunos, 14 turmas e 12 professores com este programa. E a MyPolis, com o projeto Agentes da Cidadania 2.0, usou a gamificação e a inteligência artificial para transformar as salas de aula em academias de participação cívica, dando voz ativa aos jovens nas suas comunidades. Dos vencedores de 2023, a Ekui replicou a metodologia de deteção precoce de barreiras na aprendizagem em 50 novas escolas da região Centro e Norte, envolvendo mais de 400 crianças do pré-escolar e 1º ciclo, além de professores, educadores e pais. Já o NoCode Institute contribuiu para reduzir a lacuna de competências digitais existente no mercado de trabalho e promoveu a empregabilidade e a inclusão profissional de grupos em situação de vulnerabilidade.

Que papel deve ter o setor privado – e grupos empresariais como a Sonae – na transformação do sistema educativo?
O setor privado deve assumir um papel complementar, catalisador e exigente na transformação do sistema educativo. Na Sonae, estamos disponíveis para financiar e testar soluções inovadoras, mesmo aquelas que não têm ainda provas dadas, mas que a abordagem parece prometedora e assente em métricas claras de impacto, que contribuam para melhorar a qualidade e a equidade na educação.  Deve também criar pontes entre a escola, a ciência e o mercado de trabalho, através de programas de mentoria, estágios e desafios reais que aproximem o ensino das competências do futuro. Ao mesmo tempo, é essencial que partilhe o seu know-how em áreas como a literacia digital, a gestão de projetos ou a análise de dados, apoiando a profissionalização das organizações do terceiro setor que atuam na educação. Deve também contribuir para informar políticas públicas com base em evidência, colaborando com os decisores sempre que um projeto-piloto demonstre resultados, para que possa ser escalado de forma sustentável e equitativa.

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