O mercado europeu de carros usados é influenciado não só pelas mudanças na legislação, mas também por eventos globais. Especialistas do mercado preveem que, em 2026, os condutores sentirão mais fortemente os efeitos da crise dos chips, bem como a redução da oferta de carros seminovos. Regulamentos mais rigorosos em matéria de poluição também vão afetar alguns proprietários de veículos em toda a Europa, incluindo Portugal.
De acordo com Matas Buzelis, especialista da empresa de dados automóveis carVertical, não há sinais de que os preços dos veículos possam baixar. Apenas os compradores de carros elétricos usados poderão receber melhores notícias.
Os preços dos automóveis não devem baixar tão cedo.
Nos últimos anos, a inflação estabilizou na maioria dos países da UE, levando a taxas de juro mais reduzidas. Ainda assim, os condutores terão de aguardar por melhores notícias, pois espera-se que os preços dos carros novos permaneçam num nível semelhante em 2026.
“As previsões do Banco Central Europeu mostram que as taxas de juro não voltarão aos níveis pré-pandemia tão depressa. Isto significa que os carros novos continuarão a ser menos acessíveis do que eram há alguns anos”, explica Buzelis.
Escassez de carros seminovos no mercado
Devido à pandemia global, ao encerramento de fábricas e à crise dos chips, foram produzidos menos automóveis em todo o mundo entre 2020 e 2023. O mercado secundário está a sentir cada vez mais escassez de veículos com poucos anos, o que mantém os preços dos carros usados relativamente altos.
“Neste momento, o valor dos carros com 3 a 6 anos está a desvalorizar muito mais lentamente do que antes. O mercado de carros usados está a manter preços elevados e não há motivos para que baixem tão cedo”, afirma Buzelis.
Boas notícias para quem procura um carro elétrico usado
A oferta de veículos elétricos usados cresce a cada ano no mercado secundário, e esse processo vai continuar a acelerar em 2026. O boom da eletrificação que começou no início de 2020 irá em breve remodelar o mercado de carros usados. Muitos veículos elétricos com alguns anos de uso vão chegar ao fim do prazo de leasing e aparecer em sites de classificados. Devido à oferta abundante, espera-se que os preços dos veículos elétricos usados caiam.
“Todos os anos, são produzidos mais veículos elétricos novos, e todos acabam por entrar no mercado de segunda mão, razão pela qual os veículos elétricos usados estão a tornar-se cada vez mais acessíveis”, explica Buzelis.
A acessibilidade também está a ser influenciada pelo número crescente de veículos elétricos fabricados na China. No entanto, ainda é muito cedo para avaliar a procura, uma vez que os modelos chineses desvalorizam mais rapidamente do que os dos fabricantes europeus mais conhecidos. Quanto mais rápido os veículos elétricos chineses perderem valor, mais provável será que os compradores optem por outras marcas.
As regulamentações da UE sobre emissões estão a tornar-se mais rigorosas
As cidades europeias continuam a impor restrições mais rigorosas aos carros mais antigos e poluentes. A partir de 1 de janeiro de 2026, os países da UE vão proibir a entrada de veículos a diesel que não cumpram a norma Euro 5 e de veículos a gasolina que não cumpram a norma Euro 2 em zonas de baixas emissões. A partir de 1 de março, serão aplicadas multas por violação dessas regras.
Espanha está na vanguarda na Europa: a partir de 2026, todas as cidades com pelo menos 50 000 habitantes serão obrigadas a expandir as zonas de baixas emissões e restringir a circulação de carros mais antigos.
Portugal tem apenas uma zona oficial de baixas emissões, localizada em Lisboa. A cidade está dividida em duas áreas (Zona 1 e Zona 2), cada uma com os seus próprios requisitos de emissões. A Zona 1 permite o acesso apenas a veículos que cumpram a norma Euro 3, enquanto a Zona 2 exige, no mínimo, a norma Euro 2.
O Porto também conta com uma “zona de acesso condicionado”, que regula os veículos que podem entrar em determinados bairros do centro histórico da cidade.
A UE também irá alterar em breve as suas normas de emissão. “A partir de 2027, a norma Euro 7 entrará em vigor, abrangendo não só as emissões de escape, mas também outros tipos de poluição, como o desgaste dos travões e dos pneus. Isto também se aplica aos carros elétricos, pois são normalmente mais pesados e oferecem maior binário do que os veículos convencionais. Por este motivo, tendem a desgastar os pneus mais rapidamente, libertando maiores quantidades de partículas de microplástico no meio ambiente. Além disso, o regulamento exige que os carros cumpram as normas de poluição não só no momento de fabrico, mas também 10 anos depois ou após 200 000 quilómetros”, explica Buzelis.
A primeira fase do regulamento entra em vigor a 29 de novembro de 2026, altura em que os automóveis recém-fabricados precisarão de certificação que confirme a conformidade com a Euro 7. A partir de novembro de 2027, a norma Euro 7 será aplicável a todos os automóveis novos matriculados na UE.














