O que impede as baterias revolucionárias de chegarem aos carros elétricos?

Factorial Energy prepara-se para validar em 2026 baterias de estado sólido em veículos da Stellantis, enquanto Hyundai, Kia e Mercedes também experimentam estas tecnologias

Automonitor
Outubro 13, 2025
12:14

A indústria das baterias para carros elétricos tem avançado muito mais devagar do que prometido pelo marketing. De acordo com a publicação ‘El Economista’, baterias de estado sólido, de lítio-ar, de iões de sódio ou de alumínio só são viáveis para um número muito reduzido de empresas. A CEO da Factorial Energy, Siyu Huang, explicou que muitas ideias brilhantes ficam pelo caminho porque o desafio não é inventar uma química nova, mas produzir células em grande escala com consistência e qualidade.

A Factorial Energy prepara-se para validar em 2026 baterias de estado sólido em veículos da Stellantis, enquanto Hyundai, Kia e Mercedes também experimentam estas tecnologias. A Mercedes já fez percorrer mais de 1.200 km a um EQS equipado com baterias da Factorial sem necessidade de recarga, mostrando o potencial real, embora limitado a testes piloto.

Huang sublinhou que a chave da sobrevivência na indústria não está no protótipo inicial, mas no rendimento da produção. Cada célula deve ser perfeita, pois qualquer defeito compromete o componente mais caro do veículo. A CEO dá números concretos: se se rejeitarem apenas 10% das células, o custo de cada unidade cai significativamente; rejeitar 90% torna a produção economicamente inviável.

A produção piloto deve superar os 80% de células válidas, enquanto a gigafábrica precisa garantir mais de 90% de unidades sem falhas. De acordo com o ‘El Economista’, sem processos estáveis que minimizem desperdício e retrabalho, mesmo a química mais promissora permanece apenas no papel. O desempenho na produção determina quais empresas se mantêm competitivas e quais ficam pelo caminho.

A inovação em baterias envolve milhares de iterações em máquinas, parâmetros e controlos, e não momentos isolados de “eureka”. Além disso, parcerias estratégicas continuam a ser essenciais: a Stellantis também produz baterias LFP com a CATL, o maior fabricante mundial. A Factorial alcançou cerca de 85% de células válidas em piloto, avançando gradualmente de protótipos manuais para linhas automatizadas.

Há ainda processos complementares, como o recobrimento em seco de cátodos apresentado pela Dürr, que reduz consumo de energia e espaço em planta e promete maior rendimento. Empresas como a Toyota seguem abordagens cautelosas, com desenvolvimento gradual de cátodos desde 2021, planeando lançar baterias de estado sólido em série apenas em 2027-28.

Huang aconselhou que qualquer química revolucionária seja validada e estabilizada antes da industrialização. Automatizar cedo ou depender prematuramente de fornecedores pode comprometer resultados. Segundo o ‘El Economista’, a verdadeira inovação no setor é fruto de engenharia detalhada, rigor de produção e milhares de pequenas melhorias contínuas, não apenas de anúncios espetaculares.

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