O negócio mais lucrativo já não são os carros nem os robôs: qual é a nova ‘joia’ da Tesla de Elon Musk?

De acordo com o ‘Motor1’, no relatório de resultados do quarto trimestre e do exercício fiscal de 2025, divulgado esta semana, a Tesla alcançou o maior volume trimestral de sempre em implantações de sistemas estacionários de armazenamento de energia. O desempenho foi impulsionado pela forte procura pelas baterias industriais Megapack

Automonitor
Janeiro 30, 2026
13:13

A Tesla registou uma queda acentuada dos lucros no último ano, penalizada pela desaceleração nas vendas de veículos elétricos e por investimentos elevados em inteligência artificial e robótica. Ainda assim, um segmento destacou-se como contraciclo e tornou-se no principal suporte financeiro da empresa: o armazenamento de energia.

De acordo com o ‘Motor1’, no relatório de resultados do quarto trimestre e do exercício fiscal de 2025, divulgado esta semana, a Tesla alcançou o maior volume trimestral de sempre em implantações de sistemas estacionários de armazenamento de energia. O desempenho foi impulsionado pela forte procura pelas baterias industriais Megapack.

As implantações no quarto trimestre atingiram 14,1 gigawatts-hora, acima dos 11 GWh registados no mesmo período do ano anterior, num crescimento significativo que contrasta com a evolução do negócio automóvel.

Megapack e Powerwall impulsionam divisão energética

O negócio da Tesla vai hoje muito além dos automóveis, da inteligência artificial e da robótica. A divisão de energia, que cresce a ritmo acelerado, integra soluções solares, baterias residenciais Powerwall e sistemas Megapack de escala industrial.

Segundo o ‘Motor1’, esta área assume uma importância crescente num contexto em que os centros de dados dedicados à inteligência artificial, altamente intensivos em consumo elétrico, estão a pressionar as redes energéticas a nível global. As baterias Megapack surgem como uma resposta crítica a esse desafio.

Com dimensões aproximadas às de um contentor marítimo, os Megapacks permitem armazenar energia em períodos de menor consumo e libertá-la quando a procura aumenta, além de ajudarem a mitigar a intermitência das fontes renováveis, uma função cada vez mais valorizada pelos operadores de rede.

Mil milhões de euros em lucro bruto num trimestre

A Tesla indica que as implantações recorde do Megapack geraram cerca de 1,1 mil milhões de dólares em lucro bruto, o equivalente a aproximadamente 1,01 mil milhões de euros, apenas no quarto trimestre, marcando o quinto trimestre consecutivo de máximos históricos neste segmento.

A empresa refere ainda que já ultrapassou um milhão de instalações do Powerwall, contribuindo para que os consumidores poupem, em conjunto, cerca de 1 mil milhões de dólares por ano, ou aproximadamente 920 milhões de euros, nas suas faturas de energia.

Superchargers fora da rede reforçam ecossistema

O negócio de carregamento da Tesla está também cada vez mais integrado neste ecossistema energético. Alguns dos Superchargers mais recentes são alimentados por parques solares e baterias Megapack, com destaque para o complexo de Lost Hills, na Califórnia.

Esta infraestrutura é atualmente a maior estação Supercharger do mundo e opera totalmente fora da rede elétrica convencional, reforçando a estratégia de autonomia energética da empresa.

Energia surge como aposta mais sólida da Tesla

Apesar das dificuldades no segmento de automóveis de passageiros, da renovação lenta da gama e da incerteza quanto ao retorno dos investimentos em inteligência artificial e robótica, a divisão de energia da Tesla surge numa posição privilegiada.

Com o crescimento da procura elétrica associado à inteligência artificial, tudo indica que esta área continuará a ganhar peso nos resultados da empresa nos próximos anos, assumindo-se como o negócio mais robusto da Tesla no atual contexto.

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