O mundo de amanhã: futurologista antecipa as inovações que poderão mudar a vida até 2050

Órgãos humanos produzidos em impressoras 3D, um elevador espacial capaz de transportar pessoas e mercadorias até à órbita terrestre e assistentes robóticos a viverem lado a lado com humanos em casa são algumas das inovações que poderão deixar de pertencer ao domínio da ficção científica até 2050.

Pedro Gonçalves
Janeiro 18, 2026
14:00

Órgãos humanos produzidos em impressoras 3D, um elevador espacial capaz de transportar pessoas e mercadorias até à órbita terrestre e assistentes robóticos a viverem lado a lado com humanos em casa são algumas das inovações que poderão deixar de pertencer ao domínio da ficção científica até 2050. As previsões são do futurologista britânico Tom Cheeswright, que antecipa um conjunto de avanços tecnológicos com potencial para transformar profundamente o quotidiano nas próximas décadas.

As projeções resultam de um trabalho desenvolvido em conjunto com o astrofísico e escritor de ficção científica Dr. Alastair Reynolds, com quem Cheeswright procurou identificar as inovações mais impactantes que poderão integrar a vida humana até meados do século XXI. Entre essas mudanças contam-se ainda novas abordagens à alimentação, assentes em carne cultivada em laboratório e insetos, bem como o desaparecimento do smartphone enquanto dispositivo central da vida digital.

Apesar das preocupações crescentes em torno da inteligência artificial, da automação e da aceleração da mudança tecnológica, Tom Cheeswright rejeita uma leitura pessimista do futuro. O futurologista considera que se tornou habitual lamentar um futuro dominado por inteligência artificial e robótica, mas sublinha que essa visão ignora os progressos já alcançados. Na sua análise, “quando se dá um passo atrás e se observa o progresso feito até agora no século XXI, desde a descodificação do genoma humano até às energias renováveis se tornarem as fontes de energia com crescimento mais rápido, torna-se claro que a engenhosidade humana tem capacidade para superar o pessimismo”.

Cheeswright sustenta ainda que os sinais dessas transformações já são visíveis em praticamente todos os sectores da sociedade. Da saúde à habitação, do comércio ao transporte, estão a surgir hoje indícios claros de avanços que prometem melhorar significativamente a qualidade de vida. Se estas ambições forem apoiadas e as inovações correctamente aproveitadas, defende, “os próximos 24 anos têm o potencial para se tornarem a maior era de progresso humano da nossa longa história”.

A revolução da saúde com órgãos de bioimprssão
Um dos sectores onde o impacto será mais profundo é o da saúde. De acordo com Cheeswright e Reynolds, o modelo actual evoluirá de forma decisiva de uma lógica centrada no tratamento para uma abordagem focada na prevenção, permitindo que as pessoas vivam mais tempo e com melhor qualidade de vida.

Em simultâneo, os avanços tecnológicos irão transformar as possibilidades terapêuticas. Os especialistas acreditam que o acesso generalizado a impressoras 3D biológicas permitirá produzir órgãos complexos, como rins, fígados ou mesmo olhos, recorrendo às células dos próprios pacientes. Este processo eliminará o risco de rejeição e acabará com as longas listas de espera associadas à compatibilidade entre dadores e receptores, alterando de forma estrutural o funcionamento dos sistemas de saúde.

O elevador espacial como novo passo na exploração do espaço
No domínio da exploração espacial, Cheeswright e Reynolds antecipam um salto significativo com o início da construção do primeiro elevador espacial do mundo. Esta estrutura, concebida para transportar tanto carga como passageiros até à órbita terrestre, representará uma alternativa radical aos foguetões tradicionais.

Segundo explicam, o elevador espacial permitirá uma ascensão muito mais silenciosa, limpa e sustentável do que os lançamentos actuais. A subida poderá demorar várias semanas, mas oferecerá uma forma contínua de vencer a gravidade terrestre. Os autores sublinham que esta solução proporcionará “uma forma sustentável de escapar à atracção da Terra, com vistas incomparáveis ao longo do percurso”.

Robôs domésticos tornam-se parte do quotidiano
De regresso à Terra, os dois especialistas acreditam que os assistentes androides domésticos se tornarão comuns até 2050. A evolução tecnológica e a redução de custos farão com que estes robôs atinjam um nível de utilidade e acessibilidade que os tornará frequentes, ou mesmo omnipresentes, nos lares britânicos.

De acordo com as previsões, estes dispositivos serão concebidos para serem compactos e fáceis de arrumar quando não estiverem em uso, prestando apoio em tarefas domésticas básicas, como lavar e dobrar roupa, levar o lixo ou efectuar a limpeza da casa. Equipados com inteligência artificial avançada, irão também oferecer companhia a quem procura interacção, indo além da simples execução de trabalho manual.

Novas fontes de proteína alteram a alimentação
A alimentação será outro dos sectores profundamente transformados. Cheeswright e Reynolds consideram que o consumo de carne continuará a diminuir, à medida que fontes alternativas de proteína se tornam mais comuns e os consumidores que mantêm dietas carnívoras passam a privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade.

A carne cultivada em laboratório deverá tornar-se suficientemente acessível e saborosa para constituir uma opção viável para quem pretende reduzir o consumo de carne por motivos éticos. Paralelamente, os especialistas antecipam que os insectos passarão a integrar cada vez mais a alimentação, ainda que de forma indirecta. Embora seja improvável que sejam consumidos inteiros num futuro próximo, a sua utilização sob a forma de pó permitirá enriquecer alimentos como massas e pão, fornecendo proteína e um sabor ligeiramente amendoado.

O fim da era do smartphone
Uma das previsões mais surpreendentes prende-se com o desaparecimento do smartphone. Segundo os autores do estudo, a sociedade aproxima-se do final da era dos dispositivos portáteis tal como hoje são conhecidos. Nos próximos 25 anos, os óculos inteligentes deverão tornar-se a principal ferramenta de comunicação e de interacção com o mundo, substituindo progressivamente os telemóveis.

Em paralelo, os ecrãs domésticos continuarão a tornar-se cada vez mais finos, até praticamente desaparecerem do ponto de vista visual. As televisões poderão transformar-se em superfícies com a espessura de papel de parede, aplicadas directamente nas paredes sem qualquer perda de resolução ou qualidade de imagem.

Um projecto pensado para inspirar optimismo
Estas previsões surgem num contexto marcado por níveis reduzidos de optimismo em relação ao futuro global. O artigo refere um estudo que indica que apenas um em cada seis adultos no Reino Unido se sente optimista quanto ao futuro do mundo, sendo a Geração Z significativamente mais esperançosa do que as gerações mais velhas.

O projecto desenvolvido por Cheeswright e Reynolds, intitulado Meet Tomorrow, foi concebido precisamente para contrariar este pessimismo e incentivar uma visão mais confiante do futuro. Nesse sentido, o Dr. Alastair Reynolds recorda que muitas das tecnologias hoje consideradas banais eram vistas como ficção científica há apenas 25 anos, explicando que “os smartphones, o streaming, as videochamadas e os assistentes digitais eram todos ficção científica no início do milénio e, no entanto, fazem hoje parte do nosso quotidiano”.

Para o astrofísico e escritor, a inevitabilidade da mudança torna o horizonte de meados do século particularmente estimulante, sublinhando que essa perspectiva constitui “um cenário tentador para qualquer escritor” e, por extensão, para toda a sociedade.

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