Covid-19: «Número de infetados deverá subir significativamente três semanas após o início das aulas», alertam peritos

«O perigo vai começar em outubro e até fevereiro vamos estar sempre debaixo de grande risco», segundo os peritos ouvidos pelo ‘Expresso’.

Revista de Imprensa
Julho 10, 2020
23:32

O número de infetados deverá começar a subir significativamente três semanas após o início do próximo ano letivo, que arranca a 14 de setembro, alertam os peritos que trabalham com a Direção-Geral da Saúde (DGS) na elaboração das projeções sobre a evolução da pandemia.

“Numa fase inicial, esse aumento poderá ser exponencial, sobretudo nas zonas com maior densidade populacional, nomeadamente Lisboa e Porto”, avisa Manuel Carmo Gomes, um dos principais colaboradores da equipa de peritos da DGS e do Instituto Ricardo Jorge, citado pelo ‘Expresso‘. “O perigo vai começar em outubro e até fevereiro vamos estar sempre debaixo de grande risco, porque as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, tentam manter as suas atividades profissionais, os transportes estarão a funcionar e as aulas a decorrer», sublinha o responsável.

A circulação do novo coronavírus em simultâneo com o vírus da gripe, está entre o que mais preocupa os especialistas, pela pressão que irá exercer sobre o Sistema Nacional de Saúde (SNS). “Vem aí o inverno e precisamos de estar preparados. Estamos todos cansados, ninguém gosta de usar máscara e é inevitável que haja um relaxamento natural e progressivo. O nosso sistema imunitário estará mais enfraquecido, e rapidamente pode tudo complicar-se”, avança João Paulo Gomes, investigador responsável pela área de genómica e bioinformática do Instituto Ricardo Jorge, citado pelo mesmo jornal.

Os hospitais não escondem a preocupação. “Não conseguiremos enfrentar uma nova fase com o mesmo nível da anterior porque teremos maior afluência de doentes com outras patologias. Numa catástrofe, resta-nos suspender tudo para atender o imediato, o que terá custos elevadíssimos”, alerta Daniel Ferro, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, que integra o Santa Maria, um dos maiores hospitais do país.

O segredo de não ter havido rutura hospitalar em Portugal tem, na opinião deste responsável, duas razões com as quais já não se poderá contar neste inverno: a suspensão quase completa da atividade e o medo dos doentes em recorrer aos hospitais.

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