O número europeu de emergência 112 recebeu 5.416.444 chamadas ao longo de 2025 em Portugal, mas apenas uma parte relativamente reduzida correspondeu a situações reais de perigo. A maioria dos contactos foi considerada indevida ou acabou por ser abandonada antes do atendimento, um cenário que continua a pressionar os centros operacionais e a atrasar a resposta a ocorrências críticas.
Os números, fornecidos pela Direção Nacional da PSP à Executive Digest, traçam um retrato detalhado do funcionamento da linha de emergência, revelando uma média mensal de 451.370 chamadas e cerca de 14.840 por dia. O tempo médio de atendimento manteve-se curto, com as chamadas a terem uma duração inferior a 10 segundos.
Atendimento e chamadas abandonadas continuam a pesar no sistema
Do total anual, 78% das chamadas foram efetivamente atendidas. Ainda assim, registaram-se 1.205.683 chamadas abandonadas, seja por desligamento antes da resposta do operador ou por toques acidentais.
Quando se analisa a natureza dos contactos, percebe-se que a larga maioria não corresponde a emergências reais. Em 2025, foram classificadas como emergências 1.432.980 chamadas, enquanto 3.983.464 foram consideradas indevidas, número que já inclui os contactos abandonados.
Separando as categorias, a PSP contabilizou 2.777.781 chamadas indevidas e 1.205.683 abandonadas. No conjunto, estas representam 73,5% de todas as chamadas recebidas ao longo do ano.
Emergências reais geraram mais de 100 mil ocorrências por mês
Apesar do elevado volume de contactos impróprios, o 112 continuou a desempenhar um papel central na resposta a situações críticas. As 1.432.980 chamadas classificadas como emergência deram origem, em média, a 119.415 ocorrências mensais.
A esmagadora maioria destes pedidos de ajuda esteve associada a problemas de saúde. Cerca de 85% das emergências criadas — o equivalente a 1.220.509 chamadas — destinou-se a solicitar apoio em situações de doença ou trauma com risco de vida ou necessidade imediata de assistência médica.
Seguiram-se os alertas para crimes em curso ou acabados de ocorrer, que representaram 5% do total (77.033 chamadas), a sinistralidade rodoviária emergente com 4% (56.513) e os incêndios graves com 2% (31.662).
Jovens, idosos perdidos e grandes incidentes também motivam pedidos de socorro
Além das situações clínicas e criminais, o sistema foi igualmente acionado para incidentes graves, como inundações, aluimentos, incêndios florestais e acidentes rodoviários com feridos ou risco para a circulação. Também se registaram contactos relacionados com crianças e idosos desaparecidos, no âmbito dos programas “Estou Aqui Crianças” e “Estou Aqui Adultos”.
Em 2025 estiveram ativos quatro Centros Operacionais 112, responsáveis pela cobertura de todo o território nacional. Estes centros fazem a triagem das chamadas e encaminham cada caso para as entidades competentes.
Os dados indicam que, após avaliação, foram encaminhadas 1.623.134 ocorrências para diferentes organismos. O INEM concentrou a maioria, com 1.254.058 encaminhamentos, refletindo o peso das emergências médicas. Seguiram-se a PSP (135.829), a GNR (110.153), a ANEPC/ANPC (55.887), a Autoridade Marítima Nacional (2.070), o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (4.790), o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (32.191) e o da Madeira (28.156).
PSP reforça apelo ao uso responsável do 112
Perante a elevada percentagem de chamadas indevidas, a PSP insiste na necessidade de utilização responsável do número de emergência. A recomendação é clara: o 112 deve ser usado apenas “em situações nas quais existe a necessidade imediata de socorro que ponha em risco a vida ou segurança de pessoas e bens”.
As autoridades aconselham ainda que, ao ligar, os cidadãos mantenham a calma, ouçam atentamente o operador e respondam de forma clara às perguntas colocadas. Caso a pessoa em perigo não consiga comunicar, deve pedir a alguém próximo que faça a chamada.
A localização exata é considerada um elemento crítico para a eficácia do socorro. Como sublinha a PSP, sem essa informação não é possível mobilizar meios: “Sem localização não há emergência, pois não é possível identificar para onde enviar os meios de socorro”.




